Pandemia levada a sério: impactos de mais de um ano em isolamento social

Carla Galante e Yasmin Cade - 1 de junho de 2021

Os efeitos do isolamento social e da pandemia em si ainda estão sendo estudados de forma preliminar pelos pesquisadores e estudiosos. 

Estamos em Junho de 2021. Há exato um ano, dois meses e 11 dias, a Organização Mundial da Saúde (OMS) havia declarado a pandemia da Covid-19. Naquele momento, quem poderia imaginar que estaríamos, ainda hoje, com as restrições do isolamento social, com milhares de infectados e quase 500 mil vidas perdidas por conta do novo coronavírus?

É difícil pensar que, mesmo com a chegada da vacina, ainda há um longo caminho a ser percorrido até uma possível recuperação completa da sociedade. Afinal, além do fato de que a maior parte da população ainda não foi imunizada, os efeitos do isolamento social e da pandemia em si ainda estão sendo estudados de forma preliminar pelos pesquisadores e estudiosos. 

Segundo a psicóloga Viviane Resende, pesquisadora do Instituto Humanitas, baseado nas informações iniciais que temos e nos estudos de outras pandemias enfrentadas pela sociedade, podemos afirmar que as consequências psicológicas são diferentes entre quem cumpre o isolamento social e quem não segue as medidas preventivas. 

As pessoas que estavam cumprindo o isolamento sofriam um impacto muito maior na saúde mental em relação àquelas que não estavam”, explica Viviane. 

Para refletir de forma mais humanizada sobre os possíveis impactos de mais de um ano de pandemia, a partir do que temos ao nosso alcance atualmente, você vai ser apresentado a 3 pessoas de diferentes regiões do Brasil, que trazem histórias incríveis sobre como elas levaram, desde o início, o isolamento social à sério. 

São pessoas que entenderam a gravidade da pandemia da Covid-19 e a necessidade de proteger a si mesmas e aos outros. Que abdicaram de muitas coisas em nome da saúde coletiva e em prol da vida. Que estão há mais de um ano sem, praticamente, sair de casa, e que, ao mesmo tempo, se encontram em diferentes contextos sociais e enfrentaram momentos diversos ao longo desses meses de isolamento. 

Você vai poder se aprofundar em cada uma dessas histórias nos próximos parágrafos, vai descobrir quais aspectos da pandemia afetaram mais nossos personagens, como eles se adaptaram à nova rotina e quais são suas perspectivas para os próximos meses. 

Assim, sua viagem começa na cidade de São Paulo, com o engenheiro eletricista Leandro Galante, habitante da zona sul da capital paulista e que vive um grande dilema para conciliar o trabalho e os afazeres domésticos. 

Depois, sentindo um pouco da brisa do Rio de Janeiro, você vai conhecer a história de Sibele Aquino, uma pesquisadora em Psicologia Social que montou uma rotina bastante produtiva durante esse período. Por fim, esse passeio termina em Salvador, com o músico pioneiro em HomeStudio, Naio Elo, que conseguiu ressignificar a Música na sua vida e dar a volta por cima. 

Então, aperte os cintos, coloque bem a sua máscara de proteção e embarque nessa viagem de reflexão depois de 1 ano e 2 meses de pandemia. 

“Sinto que estou aprisionado em casa e ao trabalho” 

“Quando começou a pandemia, imaginei um cenário tipo Mad Max. Pensei que ia faltar comida, que ia ter saque no supermercado… Todo um cenário apocalíptico” disse Leandro Galante, gerente de redes móveis da NEC Brasil. O Apocalipse pode não ter chegado ainda, mas a sensação de estar vivenciando o fim do mundo tomou conta do engenheiro e de sua esposa, a advogada Maria Imperatriz Mignone Galante.

Conforme Leandro, saber que o Coronavírus é uma doença que mata foi motivo suficiente para querer ficar isolado dentro de casa. O medo era grande, principalmente por conta do nível de imprevisibilidade da doença. Afinal, a COVID-19 é uma grande loteria. Tem pessoas infectadas que apresentam sintomas e avançam para casos graves e outras que não apresentam nada. Imagina ser o próximo? 

O medo de não ter lugar no hospital o paralisava. Não tinha como sair de casa. Pelo menos, não nos primeiros meses. Leandro não saía para nada. As compras do supermercado eram realizadas online e o medo era tanto que ele nem descia para pegá-las. Pedia para que o porteiro as colocasse no elevador. Das poucas vezes em que pediu comida, relatou que esquentava a refeição, mesmo depois de pronta. Tudo isso para acabar com os riscos de ser infectado. 

Ao longo do tempo, o medo foi dando lugar a um novo sentimento, o de aprisionamento. Afinal, com a pandemia, ficou difícil ter liberdade, de poder ir a um bar ou um restaurante sempre que der vontade. Leandro pontua que, desde o dia 13 de março de 2020, só saiu para fazer algo muito necessário, como resolver questões do trabalho ou fazer compras urgentes. Caso contrário, não sai e não pretende sair tão cedo. 

Mesmo, hoje, mais ambientado à sua nova realidade de confinamento ao lar, ele diz que tem medo da doença e prefere não arriscar. Por isso, ainda evita entrar no elevador com outras pessoas e continua com os mesmos cuidados do início. A única mudança é que tem saído algumas vezes, principalmente, para visitar sua mãe. 

Mas não é só o confinamento em casa que incomoda o engenheiro. O confinamento ao trabalho também entra em sua lista.”Com o home office, a sensação é a de nunca se desconectar do trabalho, é quase uma obrigação trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana” desabafa.  

Com uma agenda repleta de reuniões, seja com clientes, sua equipe ou, até mesmo, pessoas do Japão, Leandro diz que, muitas vezes, sente que as coisas saem do controle. Acaba que o tempo do trabalho, a hora do descanso e de cuidar da casa se misturam, o que o deixa bastante desconfortável e com a sensação de estar esgotado. 

Para tentar contornar um pouco dessa sensação, o engenheiro tem investido seu tempo livre em leituras. Um dos autores que elegeu foi o sul-coreano Byung-Chul Han, autor de obras como “Sociedade do Cansaço” e “No enxame: Perspectivas do digital”.  Segundo ele, o autor tem ajudado a refletir sobre sua relação com o trabalho e a pensar em perspectivas de mudança. 

Nisso, Leandro acredita que uma transformação no trabalho é mais que necessária. “Estamos no século XXI e ainda temos um estilo de trabalho nos moldes da Revolução Industrial, penso que deveria haver uma mudança. Principalmente nos processos“, diz o engenheiro.

Para ele, o bom da pandemia foi repensar processos. Outro aspecto que achou favorável foi que o home office gerou menos estresses diários, apesar de ser bastante desgastante e estressante. Como não há a necessidade de sair de casa, não é preciso lidar com 3 horas de deslocamento diárias para ir e voltar para casa. Numa cidade caótica como São Paulo, Leandro sabe bem como isso faz a diferença. 

Mas não é só de trabalho que vive Leandro Galante. Além de repensar seus processos com a vida profissional, ele também tem se dado a oportunidade de fazer atividades novas. Uma delas é a Yoga, prática que ele tem gostado bastante de fazer. Como tem praticado todo dia, ele afirma que isso acaba gerando mais disposição para o seu dia-a-dia.

Assim, a sensação é de trazer um pouco de luz para o cenário apocalíptico, já que ainda não se sabe até quando ele e muitos outros brasileiros continuarão prisioneiros de seus lares. 

O isolamento social de Leandro Galante resumido em 5 fotos

O que será que ele tem feito durante esse período?

*Todas as imagens são do arquivo pessoal de Leandro Galante

“Se a OMS falou, quem sou eu para desobedecer?”

Antes da Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar oficialmente o estado de pandemia da Covid-19, Sibele Aquino caçoava de sua amiga que vivia alarmada com as primeiras notícias do novo coronavírus surgindo na cidade de Wuhan, na China. 

Mas foi só ouvir o pronunciamento oficial da OMS que o jogo virou e ela, que é professora e pesquisadora na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), passou a ser “zoada” pelos amigos e família por entrar em isolamento social quase imediatamente após a notícia. 

“No dia em que foi declarada a pandemia, eu lembro que estava dentro do laboratório e foi uma comoção geral. (…) O lugar é bem pequeno e fechado, então abrimos logo a porta para o corredor e eu falei ‘Gente, deixa tudo aberto!’. Hoje eu lembro e rio, porque nem tinha chegado aqui (no Brasil) direito. Mas só da OMS declarar pandemia já foi o auge para mim, foi o início do medo. Nesse dia a ficha caiu”.

Sibele explica que, devido a sua forte conexão com a área da ciência e pesquisa, tem um senso de submissão a autoridade científica em um grau maior do que a maioria das pessoas. Por isso sua reação à declaração de pandemia foi tão rápida e precisa. 

Ela contou que sua maior preocupação no início do estado de emergência foi a adaptação dos pais idosos, ambos com 83 anos, ao isolamento social. Ela e os irmãos tiveram que se empenhar para conseguir pedir comida e mercado por delivery para convencer os pais, que sempre foram muito ativos e saíam com frequência, a permanecerem em casa. 

Tirando esse ponto, ela conseguiu se adaptar bem aos primeiros meses de isolamento. Segundo ela, considerando seu privilégio de poder trabalhar de home office em uma casa confortável, ela encontrou em seus ofícios de professora, pesquisadora e doutoranda uma estratégia de enfrentamento à pandemia. 

“Como pesquisadora de psicologia social, além da minha própria pesquisa do doutorado, acho que me envolvi em três ou quatro estudos internacionais transculturais em que a gente pesquisou aspectos de variáveis psicológicas de muitos países diferentes. Então isso ocupou muito minha cabeça, meu tempo e exigiu muito da minha energia. De certa forma isso me ajudou. Em determinado momento, isso foi muito importante para eu conseguir esquecer um pouco a pandemia, fechar a janela, fingir que nada estava acontecendo e focar no trabalho.”

Sibele buscou criar uma rotina que a ajudasse a manter um equilíbrio entre trabalho e descanso e que a permitisse criar momentos especiais mesmo dentro de casa. Tinha horários rígidos para não exagerar trabalhando, refeições especiais aos finais de semana e encontros com familiares e amigos por chamada de vídeo.

Inclusive, essas chamadas de vídeo permitiram que, pela primeira vez em muito tempo, Sibele e seu núcleo familiar, que moram no Rio, conseguissem participar dos aniversários e comemorações dos parentes de Recife. “Foi um ganho de verdade para a gente, porque estamos muito mais próximos de meus tios e primos do que antes. A gente sempre manteve contato, mas, durante a pandemia, estamos sempre juntos em todos os aniversários e bodas de casamento.”

Porém, o segundo semestre de 2020 chegou como uma avalanche para Sibele. Seu cunhado precisou ser internado e ela se viu em meio a uma situação angustiante em que o apoio que ela e os irmãos podiam oferecer era limitado.

Algum tempo depois, a situação se repetiu com o seu pai, que teve uma queda em casa e precisou ser levado ao hospital. Os dois se recuperaram, mas os períodos de angústia sem poder ir visitá-los e o sentimento de impotência perante as situações a abalaram.

Ela também sofreu com as festas de final de ano, já que pela primeira vez não pôde passar, presencialmente, com a família, e ainda precisou dar suporte ao marido, quando o restaurante do mesmo começou a sofrer os impactos da pandemia, acumulando cada vez mais dívidas e sem vender o suficiente para cobrir os gastos. 

Não foi fácil passar por esses momentos, mas o trabalho dela sempre se mostrou como uma forma de enfrentamento às situações que encontrava. Uma coisa que sempre a indignou foi a proliferação de fake news e do negacionismo a respeito da pandemia e das vacinas. 

“Eu estudo psicologia social e uma das coisas que a gente costuma investigar são os vieses cognitivos e as características psicológicas que fazem a gente se envolver com esse tipo de negacionismo e desinformação. Então uma das coisas que eu fiz foi criar um curso online que fala disso, com mais dois colegas do doutorado. Foi uma forma que a gente encontrou de enfrentar essa situação (da proliferação das fake news).”

Sibele se diz, ao mesmo tempo, esperançosa e desacreditada nesse mais de um ano de pandemia. Quando ela olha pelo ângulo do avanço da ciência e do trabalho de profissionais dedicados em busca das soluções para a situação que vivemos, sente-se motivada. Porém, ao observar pela perspectiva do Brasil e de nossas autoridades, da forma como lidamos com a pandemia e com a ciência, ela sente um desalento.

“Eu acho que quando isso passar, se isso passar, (…) nossa tendência é esquecer. A gente vai ter um boom hedônico de viver experiências, de viagens, de shows, de estádios, de compras, de aplicações na bolsa subindo. Mas depois a gente volta para um patamar anterior. E eu acho que, no fundo, isso não muda a nossa essência, de como a gente enxerga a vida, de como os nossos valores influenciam o nosso jeito de viver e de ser. Eu acho que nada mudou e nem vai mudar.” 

O isolamento social de Sibele Aquino resumido em 5 fotos

O que será que ela tem feito durante esse período?

*Todas as imagens são do arquivo pessoal de Sibele Aquino, com exceção da primeira foto, que foi uma imagem viralizada nas redes sociais.

A pandemia é uma loteria, não vou me arriscar 

Há mais de um ano confinado em casa com a mulher e os filhos, o músico Nairo Elo diz que a sensação é de enlouquecer. Afinal, ficar confinado dentro de casa por tanto tempo não é para qualquer um. Tem que ser resiliente e pensar que essa é uma atitude necessária para que a vida comece a voltar ao normal. 

Pelo menos, foi assim que Nairo começou a pensar quando a pandemia começou. Uma das primeiras coisas que fez foi comunicar aos filhos que nenhum deles sairia de casa durante esse período. Afinal, tratava-se de uma situação que ninguém sabia no que poderia culminar e era preciso ser responsável com qualquer atitude. 

Não foi por menos que o músico disse que buscou bastante informação sobre o Coronavírus, no início, e se baseou nas falas de profissionais da Saúde e da OMS. Como a recomendação era “Fique em casa”, ele decidiu levar isso à risca e, até hoje, busca sair o mínimo possível de casa. É uma questão de Saúde Pública. 

Por isso, teve que abrir mão da saída com os amigos, de ir a bares e restaurantes e, até mesmo, de projetos profissionais, como o de suas aulas de música na Fundação Pracatum. Para ele, essa tem sido a parte mais complicada da pandemia. Como Nairo é um homem bastante enérgico e adora estar e interagir com pessoas, essa falta de contato humano tem pesado bastante para o músico. 

Mesmo após tomar a primeira dose de vacina, ele continua firme com sua decisão: “evito sair de casa, quando eu saio é com máscara, não pego elevador cheio, não vou para a casa dos amigos, não saio para bar e restaurante. Sair, agora, só depois de todos serem vacinados”. 

O músico ainda acredita que o aumento dos casos nos hospitais e a morte de conhecidos servem como um alerta para a população ficar em casa e tomar os devidos cuidados. Sinal de que a situação é grave. Ele também relata que um grande amigo faleceu em decorrência da COVID-19, ou seja, foi mais um motivo para ele seguir com a sua decisão de ficar em casa. 

Apesar do isolamento forçado, Nairo não perdeu a energia e mergulhou ainda mais em seus projetos. Atualmente, o músico trabalha no formato HomeStudio e orienta outros profissionais a produzirem suas músicas em casa. Para ele, esse tem sido o melhor aspecto da pandemia, pois quando ele está em aula com os seus alunos, ele esquece dos problemas e foca apenas no que é importante: na Música. 

E foi justamente na Música que Nairo viu um de seus grandes desafios na pandemia, pois foi preciso se adaptar rapidamente à nova realidade. Como já trabalhava com mixagem de Música e com Música no Digital, isso não foi um grande problema e, mesmo com o cenário ruim para a Música, Nairo conseguiu dar a volta por cima. 

Atualmente, dá aulas de Produção Musical  e, também, presta assessoria para músicos mais experientes no mercado. Tem gostado bastante de trabalhar com os músicos e de ajudar no desenvolvimento deles. Porém, diz que as aulas são bastante desafiadoras, isso vai desde a interação online à conexão dos alunos no Meeting. Esse é um processo que, às vezes, gera confusão, pois até arrumar o áudio e os equipamentos leva tempo. Ele chega a brincar, que além de ser professor de Música, vai precisar dar algumas aulas sobre como mexer no Google Meet. 

Mas sua atuação não tem se limitado apenas às aulas. Nairo também conseguiu produzir 4 álbuns no último ano. Um deles, inclusive, para um músico do Colorado, o que foi uma grande conquista para o músico. Esse momento o reaproximou da Música como uma ferramenta de relaxamento ao invés de ser apenas voltada para o trabalho. 

Nairo faz questão de complementar que, durante a pandemia, foi preciso correr atrás de seus objetivos para se manter. Uma das primeiras coisas que fez foi participar do edital da Lei Aldir Blanc e investir em Marketing Digital para trazer mais e mais alunos durante esse período. Isso tudo possibilitou que ele estivesse numa situação privilegiada no momento. 

Por conta do privilégio, Nairo também se viu na obrigação de ajudar a empregada doméstica que trabalhava em sua casa. Até como um reforço positivo para a funcionária, pois sabe que o isolamento prejudicou muitas pessoas. 

Além disso, para Nairo, esse foi um momento de reconexão com a família e de entender como controlar seus sentimentos e lidar com os dias ruins de quem mora na mesma casa que ele. Essa tem sido uma experiência bastante importante para ele, que mal espera a sexta-feira à noite para poder compartilhar bons momentos com a família, seja para poder cozinhar, beber com eles ou assistir ao futebol juntos. 

Apesar de ter conseguido se adaptar a essa realidade atípica, o músico ainda se sente inseguro quanto ao futuro e acredita que ainda demora para que possamos sair na rua para se encontrar com os entes queridos. 

O isolamento social de Nairo Elo resumido em 5 fotos

 O que será que ele tem feito durante esse período?

*Todas as imagens foram retiradas do perfil no Instagram de Nairo Elo

Os efeitos da pandemia e do isolamento social na sociedade: O que sabemos até agora

Essas três histórias mostram os diferentes modos de vida de pessoas que, apesar de morarem em estados distintos, terem profissões e idades diversas, resolveram levar o isolamento social ao pé da letra e cumpriram as medidas restritivas de forma exemplar. 

Mesmo havendo particularidades, observando atentamente o que os nossos entrevistados compartilharam, podemos perceber alguns pontos em comum: 

  • A preocupação em proteger os familiares da pandemia;
  • O trabalho em home office;
  • A valorização das entidades científicas;
  • A busca por estabelecer rotinas estimulantes;
  • O reconhecimento de uma situação de privilégio social (já que todos os entrevistados demonstraram possuir uma situação de relativo conforto material);
  • O peso de uma realidade com milhares de vidas perdidas no país.

Esses são aspectos que também podem ser identificados em boa parte das pessoas que levaram a pandemia a sério e buscaram cumprir o famoso “#fiqueemcasa”. Porém, ainda não temos dados oficiais e concretos que revelem quais seriam exatamente os efeitos causados pelo isolamento da pandemia de Covid-19 no Brasil. 

Segundo a psicóloga e pesquisadora Viviane Resende, mesmo os últimos trabalhos a respeito do assunto, ainda não trazem de forma detalhada e profunda os efeitos diretos da quarentena na saúde mental da sociedade. Isso se deve ao fato de que nós ainda estamos vivendo essa realidade e não temos condições de prever todos os impactos que serão gerados por ela. 

Isso não significa que estamos totalmente no escuro. Existem alguns estudos (como os que apresentamos no infográfico presente no início desta matéria), principalmente baseados em pandemias anteriores e na experiência de países que já superaram o estado de emergência, como a China, que indicam possíveis impactos e consequências dessa situação para a saúde mental das pessoas. 

Além disso, outras abordagens de trabalho também apresentam questões muito significativas sobre o isolamento social. É o caso do artigo que Viviane, junto ao seu grupo do Instituto Humanitas, está desenvolvendo a respeito do que chama de lutos simbólicos

A vivência do processo de luto pode não estar relacionada somente à morte em si, mas também às perdas que nos acometeram durante esse período. A perda do convívio social, perda da rotina, das atividades sociais, do que a gente entendia como a nossa cotidianidade. Todas essas transformações abalam e colocam em cheque os nossos mundos presumidos, aquilo que a gente tinha como uma garantia. Eu falo muito que temos nos dado conta de que a gente perdeu o pseudo controle que a gente achava que tinha sobre a vida e sobre as coisas. Isso também já é um luto por si só, embora não seja o luto da morte em si”, explica a psicóloga. 

Para além desses lutos diários, ainda existem os lutos coletivos, que se expressam tanto na perda de pessoas famosas, quanto no número de casos e de vidas interrompidas por essa doença. Essas situações podem levar a outros tipos de sofrimento psíquico. De acordo com Viviane, tem sido muito discutido, por exemplo, que alguns dos possíveis impactos psicológicos da pandemia sejam o desenvolvimento de quadros de transtorno de estresse agudo, de estresse pós-traumático, ansiedade generalizada, abuso de substâncias psicoativas e depressão.

Para ela, o mais importante para que consigamos atenuar ao máximo esses efeitos que virão no pós-pandemia é investir na saúde mental da população desde já. 

“É imprescindível que a gente comece a pensar em estratégias e intervenções voltadas para saúde mental durante esse período para evitar que eclodam números mais alarmantes desses transtornos, ou mesmo de sofrimento significativo, quando tudo isso passar. Só que a gente não sabe quando vai passar e nem como vai passar”. 

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