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Os Caminhos do Recôncavo Baiano

- 28 de novembro de 2015

Traços históricos e visíveis da cidade de Cachoeira

Lilibeth França

Um povoado habitado por índios cresce, se desenvolve, ganha reconhecimento mundial e se torna Cidade Monumento Nacional. Situada às margens do Rio Paraguaçu, Cachoeira, uma das cidades do Recôncavo Baiano, respira história em todos os seus cantos. Seja na arquitetura – originária do Brasil Império – ou nas suas praças, ruas, becos e monumentos, todos embalados pelo estilo colonial dos séculos XVII e XVIII.

Foto antiga da Estação de Cachoeira

Prédio onde funcionava a estação de Cachoeira, atualmente. Foto Lilibeth França

O responsável pela fundação do povoado era chamado de Caramuru; foi o navegante português Diogo Alvares Correia. No site do IBGE, pode-se saber um pouco mais sobre o início da história da cidade, obter informações completas da população, fotos e infográficos.

Cachoeira antiga. Foto do blog Vapor de Cachoeira

Por ter uma localização estratégica, no meio de importantes rotas que se dirigiam ao sertão (Minas Gerais e Salvador), a Vila de Cachoeira logo enriqueceu e ganhou fama. Em 1800, o pequeno povoado já tinha expressiva influência política, e no ano de 1821, os cachoeirenses participavam das guerras pela independência da Bahia.

Em 1822, a população cachoeirana se preparou para dar um passo importante na nossa história. A câmara, a tropa, o povo, todos juntos na praça, aclamaram o príncipe Dom Pedro como regente e defensor do Brasil. É devida à ação desses “guerreiros” durante as lutas, o título de Cidade Heróica

Os moradores contam que durante os séculos XVII e XVIII, a cidade foi uma das vilas mais ricas e importantes do Brasil. Diante disso, o município possui o segundo melhor acervo arquitetônico de estilo barroco.

Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário. Foto Lilibeth França

O apogeu da cidade ocorreu entre os séculos XVIII e XIX, porque o porto de Cachoeira era usado para escoamento de grande parte da produção agrícola do Recôncavo. Produtos como fumo e açúcar até hoje são produzidos na região. Atualmente, parte da economia do município gira em torno da cultura da mandioca, do fumo e da cana.

Manifestações Culturais

As manifestações culturais no Recôncavo Baiano são pulsantes, atravessam o tempo e muitas ainda mantêm a sua originalidade. A cultura local, além de estar presente nos atrativos culturais, também se encontra no conhecimento dos moradores. Muitos cachoeirenses sabem dos detalhes dos fatos e pontos turísticos da cidade.

O município também é reconhecido por sua religiosidade, onde os rituais católicos se misturam com os preceitos de candomblé. A cidade conta com a presença de diversas igrejas e terreiros.

Procissão da Irmandade da Boa Morte - Foto do site Bahia.com.br

Uma das tradições mantidas é a Irmandade da Boa Morte, que existe há mais de 150 anos. A Irmandade é uma confraria formada por mulheres negras com mais de 50 anos de idade, todas descendentes de escravos.

É uma manifestação católica que reúne visitantes de todos os cantos para prestigiar os rituais. São procissões, missas, vigílias noturnas, ceias e o famoso samba-de-roda que abrilhantam a programação da festa. A Boa Morte representa a associação e o sincretismo entre religiões de matrizes africanas e o catolicismo brasileiro.

A comemoração teria começado na época da Abolição. Eram nos encontros nas senzalas que as mulheres pediam o fim da escravidão e prometiam todo ano comemorar a Morte e Assunção de Nossa Senhora. Hoje, a cultura é preservada e possui uma imensa riqueza religiosa. Todo ano as irmãs cumprem a promessa e louvam a Virgem Maria. Atualmente, a irmandade conta com 22 irmãs, de Cachoeira, São Félix e Muritiba.

Foto do site Bahia

Turismo Local

Uma prova de que a cidade possui potencial turístico é que, desde 2011, o município sedia a Festa Literária Internacional de Cachoeira – FLICA, a qual chega a receber 40 mil pessoas durante os dias de apresentações.

Marca oficial da Festa Literária Internacional de Cachoeira

A programação inclui shows na praça, painéis, palestras e atividades para as crianças, que é chamada de Fliquinha.

Núcleo de Prática Orquestral do Sesi, abrindo a edição de 2012 da Flica. Foto Vinícius Xavier

O evento é realizado no mês de outubro e é considerado uma das principais festas literárias do país, uma vez que reúne grandes nomes da literatura nacional e internacional. A realização da Flica em Cachoeira é importante para o fortalecimento do turismo na região, pois também movimenta os municípios próximos, como Muritiba e São Félix.

Para Gabriela Ferreira, 24 anos, nascida e criada em Cachoeira, o envolvimento da população é a principal vantagem dos eventos que ocorrem na cidade. “Todos os moradores arranjam um jeito de mostrar o seu trabalho, mesmo que seja através de uma barraquinha de pastel, ou até mesmo vendendo acarajés. O período da Flica é uma alegria para nós. Quem não trabalha, se diverte.”

Mesa da Flica. Foto Ida Sandes

Além da Flica e da Boa Morte, Cachoeira também sedia o Cachoeira DOC – Festival de Documentários de Cachoeira, que já conseguiu reunir em suas edições cerca de 12 mil pessoas, as quais já assistiram mais de 179 documentários. Em quase cinco anos de Festival, foram exibidos filmes de cineastas consagrados da cena internacional.

Pontos turísticos

– Ponte Imperial Dom Pedro II

Ponte metálica e rodoferroviária que liga São Félix e Cachoeira, inaugurada em 1865. É um dos principais cartões postais da cidade. Foi uma obra de grande importância para a engenharia da América do Sul na época e leva o nome do imperador.

Foto Lilibeth França

– Casa da Câmara e Cadeia Pública

Construída entre os anos de 1698 e 1712, a Casa foi sede do governo Legal da Província por duas vezes. Foi lá que Dom Pedro I foi aclamado Regente e Defensor do Brasil, em 1822. Atualmente, o prédio funciona como museu e abriga a Câmara Municipal.

Foto Lilibeth França

– Conjunto do Carmo

Localizado na Praça da Aclamação, o conjunto é formado pelo Convento e pela Igreja Ordem Terceira do Carmo. Dentro da Igreja, é possível ver os detalhes em ouro e azulejos portugueses. É ocupado, hoje, por uma pousada e centro de convenções.

Foto Lilibeth França

– Fundação Hansen da Bahia

Construído no século XVII, foi o prédio que hospedou Dom Pedro II e a princesa Isabel, em 1858. Hoje funciona como a Fundação Hansen da Bahia, reunindo cerca de 13 mil peças de xilogravuras do alemão Karl Heinz Hansen.

Foto Lilibeth França

Em meio a tantos atrativos históricos e turísticos, a gastronomia do Recôncavo Baiano também deve ser lembrada e experimentada por todos os visitantes. A maniçoba, feijoada, vatapá, caruru, acarajé e diversos tipos de moqueca, todos cheios de baianidade.

 

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