Doramas: da Coreia do Sul para o mundo

Erick Barbosa, Nadja Anjos e Rute Souza Cruz - 1 de junho de 2021

Entenda como os sul-coreanos expandiram sua influência cultural no mundo impulsionando suas produções audiovisuais

Ao ouvir o nome K-drama é possível que te soe estranho o termo, mas se você é habituado às plataformas de streamings já deve ter se deparado com um deles. Chamados popularmente de Doramas, K-dramas são produtos audiovisuais sul-coreanos que estão ganhando o ocidente. Para se ter uma ideia, só a Netflix vai investir neste ano US $500 milhões (R$ 2,7 bilhões) em produções da Coreia do Sul, e já estabeleceu duas instalações de produção no país.

Um K-Drama também pode ser chamado de drama ou novela coreana. A identificação vem a partir do “K”, que é uma referência à Coreia em inglês (Korea). Normalmente um K-drama é considerado uma minissérie com uma temporada, variando de 12 a 24 episódios. Existem K-dramas de todos os gêneros, de ação a terror, mas eles são mais conhecidos por terem em seu repertório o romance sempre envolvendo um momento conflituoso ou  comédias românticas como base das suas histórias.

A sua expansão é tão grande que no final de 2019 a Netflix fechou uma parceria com o principal estúdio de produção sul-coreano, a Studio Dragon, e a maior empresa de mídia e entretenimento da Coreia do Sul, a CJ E&M para a produção de conteúdos.  Em 2020, contou com uma nova parceria, a produtora  JTBC Content Hub, começando a integrar produções em seu catálogo, além de produzir conteúdo original. Essas alianças refletem o crescente número de consumidores desse conteúdo.

Incentivos governamentais

O consumo dos produtos audiovisuais coreanos pelo Ocidente aumentou bastante ao longo dos anos também graças aos incentivos governamentais. Como é tratado pela Drª. Luana Rufino em seu levantamento “A bem sucedida experiência sul coreana no audiovisual”, as políticas públicas foram fundamentais para isto “[o] seu grande e rápido sucesso pode ser explicado por políticas explícitas formuladas pelo governo a partir dos anos 1990”.  Ela conta que em 1994 houve o caso Jurassic Park em que durante três meses o único filme exibido nos cinemas do país foi o longa hollywoodiano. Esta situação chamou a atenção das autoridades não só pela dominação cultural, mas também pelos valores envolvidos.

O investimento na indústria do entretenimento na Coreia do Sul aumentou de forma significativa. Após menos de dez anos do ‘case Jurassic Park’, o país se encontra no ranking dos maiores produtores mundiais neste mercado, segundo dados da PWC consultoria em sua 18ª pesquisa global de entretenimento e mídia. É o sétimo país que mais cresce no ramo.

Os fãs

Mas não são só as grandes empresas que movem uma indústria como essa. Os fãs são parte fundamental na produção e consistência de um fenômeno. Tailanna Sodré, 27, é formada em Estética e Cosmética e é apaixonada pelos Doramas desde 2011. 

“A ascensão dos doramas está junto com a ascensão do K-pop, porque teve um boom muito grande. Em 2012, houve um boom com o Gangnam Style, em seguida houve o surgimento do BTS, em 2013, e aí foi crescendo e crescendo. Nunca houve uma fase em que eles estiveram em baixa, pelo contrário. Chegou num nível onde hoje eles são considerados quase atletas, representantes da cultura coreana. Se não houvesse esse crescimento de fãs deles, com certeza não teria aberto portas para as novelas” comenta Tailanna sobre como ela enxerga a ascensão dos doramas.

Tailanna ressalta que há um vínculo forte da ideia de que o consumo de K-drama e K-pop seja apenas para distração de adolescentes. Como fã há uma década, já adulta, acredita que esse vínculo só a algo juvenil restringe o aspecto social dos doramas. Porque, há doramas com críticas a tabus para o país, “tem muitos tabus dentro da Coreia e eu gosto de doramas que trabalham a desconstrução social”, diz ela.

A mestranda Andressa de Souza, que pesquisa o tema na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), ressalta em sua publicação “Audiovisual nas novas mídias: Dramas sul-coreanos no Brasil” os aspectos da sociedade nos doramas.  “Os valores morais e culturais estão sempre presentes nos K-Dramas, seja em uma história de amor ou um conto sobrenatural. Esse apego à tradição cultural é uma forte característica das produções sul-coreanas. Ela constitui o pano de fundo para as mais diversas histórias”, explica a mestranda.

Impacto em outros campos

A virada foi tão significativa para o audiovisual sul coreano que de influenciado passou a influenciar. Você pode não saber, mas The Good Doctor, série americana de sucesso no ar com quatro temporadas, foi inspirada em um K-drama, Good Doctor de Park Jae-Bum.  A casa no lago, filme marcante com Keanu Reeves e Sandra Bullock, é um remake do sul coreano Siworae. Outro sucesso que é um remake é o filme Milagre na Cela 7, inspirado em um filme coreano de mesmo nome lançado em 2013. A Coreia do Sul mudou drasticamente, de um país culturalmente colonizado a lançador de tendência.

Se engana quem acha que a potência da indústria cultural fica só no campo do entretenimento. O ramo do turismo também foi aquecido pela onda cultural coreana, chamada de Hallyu.O turismo teve um aumento significativo nos últimos anos, pelo consumo do K-pop e K-drama, há uma legião de fãs dispostos a conhecerem a casa dos seus ídolos. Com isso, Seul se torna uma das capitais que os jovens querem fazer intercâmbio, trabalhar, estudar e viajar por lazer. Desta forma, a indústria cultural move outros setores que geram renda e emprego para a nação.

Gráfico exibindo as receitas da Coreia do Sul com turismo, no período entre 2010 e 2020. Percebe-se um crescimento na segunda metade da década.

Receitas do Turismo da Coreia do Sul 2010-2020.
Fonte: CEICData

Mergulhe nesse mundo

Se você está curioso para assistir um K-drama e mergulhar nesse universo, preparamos algumas sugestões de séries que você pode gostar. Tivemos a consultoria de Tailanna e seu vasto conhecimento. Viaja aqui com a gente!

Top 5

49 Days

Banner de divulgação de 49 days. Exibe seis protagonistas em um fundo cinza, três mulheres e três homens, alternados da esquerda para a direita.

Shin Ji Hyun estava aproveitando a extrema felicidade com relação à aproximação de seu casamento com o seu noivo, Kang Min Ho, mas a sua vida perfeita é abalada quando ela sofre um acidente de carro que a deixa em estado de coma. É dado para ela uma segunda chance de vida através de um ceifador, mas com uma condição: de que ela encontre três pessoas fora de sua família que chore genuínas e verdadeiras lágrimas por ela. Com o intuito de fazer isso, ela toma emprestado o corpo de Yi Kyung, uma empregada de meio período em uma loja de conveniências, por 49 dias.

 

Because This Is My First Life

Banner de divulgação de Because This Is My First Life. Exibe os dois protagonistas, um homem e uma mulher, vestidos com roupas sociais. A mulher, na direita, carrega pranchetas, e o homem, na esquerda, carrega um gato.

Yoon Ji Ho (Jung So Min) é assistente de escritora há 5 anos. Após descobrir que o seu irmão tem uma namorada, e que esta estava grávida, ela decide se mudar. Só que morar sozinha é algo caro. Por meio de um amigo, ela consegue alugar um quarto na casa de uma “desconhecida”. Após alguns dias morando junto, ela descobre que essa desconhecida é na verdade um homem. 

It’s Okay Not to Be Okay

Imagem exibindo os dois protagonistas: uma mulher com expressão assustada, com traje social em primeiro plano e um homem no plano de fundo, segurando-a com as mãos.
 

Apostando numa dose agridoce de romance e fantasia, “It’s Okay Not to Be Okay” aborda o cotidiano de um enfermeiro que trabalha em uma ala psiquiátrica onde precisa lidar com casos cada vez mais problemáticos, enquanto uma escritora de histórias famosas convive com um transtorno de personalidade antissocial. Um homem que nega o amor e uma mulher que não conhece o amor desafiam o destino e acabam se apaixonando.

Crash Landing on You

Imagem exibindo os protagonistas com um trem em segundo plano. Em primeiro plano, no centro, uma mulher sul-coreana olha o horizonte. À sua direita, um militar norte-coreano fardado olha para a frente.

Em “Pousando no Amor” acompanhamos a trajetória da Se-ri, uma mulher independente, moderna e bem sucedida, de uma família importante da Coreia do Sul, que sofre um acidente de parapente durante uma sessão de fotos e, literalmente, cai numa zona militar da Coreia do Norte. Durante a tentativa de retorno para a Coreia do Sul ela se envolve num romance com o capitão Ri, um militar de alta patente.

Mystic Pop-Up Bar

Imagem exibindo três protagonistas em uma cozinha: uma mulher ao centro, com roupas típicas, e dois homens, um de cada lado, trajando aventais.

Wol Joo (Hwang Jung Eum) cometeu um pecado em vida que causou muita dor a pessoas que ela nem poderia imaginar. Como punição, ela teria que colher as mágoas de 100.000 seres humanos no Mundo Mortal. Wol Joo deveria ouvir as histórias de seus clientes e confortá-los para que pudesse se redimir, mas ela não imaginava que muitas coisas iriam acontecer nessa missão.

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