Tags:, , , , , , , , , , , , ,

Coletivos de arte transformam a rua em palco

- 10 de dezembro de 2014

Do circo à dança, o que interessa aos coletivos é estar em diálogo e em constante troca com as pessoas e a cidade

Virgínia Andrade

A rua é o espaço preferido dos coletivos que buscam integrar sua arte ao cotidiano da cidade. Cada bairro, praça ou largo ocupado acaba sendo tão protagonista quanto os personagens dos espetáculos apresentados, sejam eles de teatro, circo, música ou dança. O que interessa para estes coletivos é expandir as possibilidades de estar em cena e em constante troca com o público e a própria cidade.

Leia mais
Coletivos urbanos ocupam espaço público e mudam a cara de Salvador

São em espaços abertos que os universos circense e teatral do grupo Nariz de Cogumelo e do coletivo de palhaços Palhaçaria de Choque ganham ainda mais força. “A arte na rua invade o cotidiano das pessoas, democratiza, desmistifica o fazer artístico e transforma a praça, ou espaço público, em um local de convivência e troca”, pontua a atriz Luiza Bocca, ou palhaça Calçolina Sexta-Feira 13.

Nariz de Cogumelo em cena com o espetáculo "É das Palhaças Que Eles Gostam Mais" | Foto: Ricardo Borges/Divulgação

Presente em praças públicas da cidade com números tradicionais de palhaço e circo, o Nariz de Cogumelo foi criado há oito anos, em Salvador. O objetivo era pesquisar a arte do palhaço no teatro e no circo. Mas não demorou para que o grupo extrapolasse os limites do tablado e montasse seu picadeiro na rua. Desde então, já criaram quatro espetáculos para a rua – o mais recente A Maré do Amor Sem Fim.

Também foi na rua e com muito bom humor que o Palhaçaria de Choque encontrou um jeito de protestar contra a violência adotada pela polícia militar diariamente. “Estamos defendendo nosso direito ao caos. Sou palhaça, acredito que o caos é necessário para o ser humano, que precisamos ter o direito ao caos para poder ir vir e rir como quisermos”, explica Naia Pratta, a palhaça Curri Gatarilda.

Palhaçaria de Choque foi às ruas com sua tropa no feriado de 7 de setembro | Foto: Lucio Tavora/Divulgação

Apesar de ter sido organizada durante as manifestações de 2013, o fim dos protestos não tirou os palhaços da rua. “O palhaço saiu do circo para ganhar o mundo de maneira ‘independente’ e foi para as praças, para as ruas, se apresentar e sobreviver. Então, estar na rua é um hábito do palhaço”, pontua. Ainda assim, durante o último desfile de 7 de setembro, viram cerceado seu direito de acompanhar o cortejo.

“Fomos barrados no final do Corredor da Vitória. Acharam [os policiais] que íamos bagunçar o desfile. Disseram que só podiam passar moradores e pessoas normais! Rimos muito disso. Ficou bem claro que o que desestabiliza não pode existir”, observa Naia. Veja o vídeo gravado pelo Palhaçaria após o ocorrido.

Educar para crescer – O duo arte e educação dá o tom nos projetos Balé da Comunidade e Coletivo de Artes João Ninguém, ambos desenvolvidos no bairro de Cajazeiras, em Salvador. Voltadas para jovens e adolescentes em situação de risco, as iniciativas investem em ações socioeducativas a fim de reeducar através da arte.

O ator e músico Aílson Leite criou o núcleo de formação de atores João Ninguém para resgatar a autoestima dos jovens da periferia e oferecer uma alternativa à criminalidade. “Nosso foco é o teatro, mas também tem hip hop. Como não temos patrocínio, contamos com o apoio de voluntários e da escola Leonor Calmon, onde realizamos nossas atividades”, conta o arte-educador.

Atores do Coletivo de Artes João Ninguém em cena com o espetáculo SOMA - O Mito da Caverna | Foto: Aílson Leite/Divulgação

Com apoio do edital Calendário das Artes, o João Ninguém volta a cartaz dia 5 de dezembro com o espetáculo SOMA – O Mito da Caverna. Além das apresentações teatrais, o coletivo realizará oficinas gratuitas de música, grafite e teatro nos centros culturais de Plataforma, Cajazeiras e Uruguai. “A ideia é realizar pequenas intervenções para formar plateia nesses locais e depois ocupar a praça com shows e oficinas”, sinaliza.

Assim como Aílson, o professor de dança e fundador do Balé da Comunidade, Edson Souto, também acredita na premissa “educar para crescer”. Com um corpo de 120 bailarinos, o grupo está em atividade desde 2003 e já recebeu mais de 600 jovens. O próximo passo de Souto é transformar o projeto em ONG.

Ocupar é preciso – Como o Coletivo de Artes João Ninguém, o Coletivo Boom Clap também acredita que a intervenção social deve acontecer a partir da arte e da cultura. Por isso, investe na ocupação artística dos espaços públicos da cidade. “A ocupação se faz de forma planejada e estratégica. Buscamos partir de um conceito de luta e causa e depois pensamos na parte artística”, explica o idealizador do coletivo André Costa, o MC Coscarque.

Conhecido como MC Coscarque, André Costa é idealizador do Coletivo Boom Clap | Foto: Divulgação

Integrado à rede colaborativa Fora do Eixo, o coletivo desenvolve ações de valorização do hip hop com apresentações musicais e rodas de bate-papo em escolas, realiza cursos de formação profissional em DJs e produção cultural e participa de debates em espaços acadêmicos. Em parceria com artistas, produtores e agentes culturais, o Boom Clap também costuma realizar ações em praças e largos do Centro Histórico.

A escolha dos espaços não é aleatória. “Se fazer presente com ações como as nossas dentro do Centro Histórico é um ato de pertencimento, um ato político, reivindicatório, transformador e de acessibilidade a bens e espaços culturais”, pontua Coscarque. Desde 2013, o Boom Clap realiza mensalmente uma edição do 3º Round – Circuito de Rima Improvisada no Pelourinho, evento que reúne rap, break e grafite.

A próxima ação do coletivo é o projeto SoteroHipHop. A iniciativa pretende reunir artistas e representantes do poder público e organizações não governamentais para discutir questões referentes ao uso e à ocupação do espaço urbano. “Se não nos organizarmos e levarmos nossas propostas para serem debatidas e inseridas em certos espaços, iremos permanecer na inércia e reclamando da falta de espaço e visibilidade”, ressalta.

FUTEBOL

Afinal, o VAR traz justiça pro brasileirão?

Implementado este ano na competição, recurso ainda causa controvérsias no meio esportivo Por Caio Marco e Victor Fonseca Desde que se tornou popular mundialmente, o futebol sempre foi marcado por polêmicas, especialmente com relação à arbitragem. Pênaltis decisivos não marcados (ou pênaltis mal marcados), gols de mão, impedimentos, dentre outras controvérsias se mantêm na pauta […]

Caio Marco, Victor Fonseca - 13 de novembro de 2019

Desconectados

Status: Desconectado

Em tempos de relações on-line, jovens baianos andam na contramão e defendem que a boa conexão está fora da tela Por Carlos Magno e Thídila Salim Com um misto de funcionalidades, os smartphones se tornaram peças indispensáveis na vida de muita gente por todo o mundo, seja para auxiliar no trabalho ou para puro lazer. […]

Carlos Magno, Thídila Salim - 13 de novembro de 2019

Futebol feminino

A bola está com elas

Beatriz Rosentina, Elias Santana Malê, Ingrid Medina e Larissa Travassos 13 de novembro de 2019 A bola está no campo e quem veio jogar foram elas, as mulheres, que cada vez mais ganham visibilidade a partir das iniciativas para esta modalidade. Com uma história marcada por mais de 40 anos de proibição da prática no Brasil, a […]

Beatriz, Elias, Ingrid, Larissa - 13 de novembro de 2019

Saúde mental

Saúde mental e vida universitária: Seria a universidade um ambiente tóxico?

Foto: Marcelo Camargo Danilo Gois e Iuri Petitinga O sonho de ingressar em uma universidade pública é algo que acompanha quase todos os estudantes de ensino médio no Brasil. Muitos destes alunos não imaginam que a pressão do período pré-vestibular não para após o ingresso em um curso superior e uma parte destes alunos não consegue […]

Danilo Rodrigues e Fernando Iuri Petitinga - 18 de novembro de 2019

Algodão

Crescimento de 17% na safra de Algodão da Bahia assegura o estado como 2º exportador mundial

Região é explorada desde os anos 1980, marcada pela presença de “baiúchos” Ellen Chaves, Fernando Franco, Welldon Peixoto e Pedro Oliveira Foto: Welldon Peixoto O ano de 2019 já aponta 17% de aumento na safra de algodão no cenário baiano, segunda maior cultura da região. O oeste é responsável pela maior parte da produção do […]

Ellen Chaves, Fernando Franco, Welldon Peixoto - 18 de novembro de 2019

Consumo cultural

Popular para quem? Por trás da dinâmica do consumo cultural em Salvador

Apesar de uma vasta programação cultural e artística,  parte da população de Salvador não frequenta esses eventos  Lizandra Santana, Luciano Marins e Luana Gama Salvador é uma cidade que respira cultura. Por quase todos os cantos encontramos espaços culturais com uma programação diversificada, além de festivais realizados ao longo do ano. Ao mesmo tempo, parte […]

Lizandra Santana, Luciano Marins e Luana Gama - 13 de novembro de 2019