Valor que não se Med

Gabriel, Marina, Nuno, Leonardo - 10 de junho de 2019

Seja pelo status ou pela vontade pessoal, o curso de Medicina é cada vez mais procurado pelos estudantes brasileiros. Como consequência, a graduação tem uma das maiores notas de corte no Enem e também as mensalidades mais caras nas faculdades particulares do país. Em Salvador, quem não consegue uma das 94 vagas nas universidades públicas – Universidade Federal da Bahia (Ufba) e Universidade Estadual da Bahia (Uneb) -, recorre para a uma das quatro faculdades particulares da capital que oferecem o curso. São elas: Unime, Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), Universidade Salvador (Unifacs) e Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC).

O custo da mensalidade, entretanto, é um dos desafios que deve ser encarado pelos estudantes que já passaram a fase do vestibular. Com o valor anual cobrado pela Bahiana, a mais barata entre as instituições da capital, é possível comprar um Hyundai HB20 completo e ainda sobrar cerca de R$ 10 mil.

Veja aqui os valores atuais (do semestre 2019.1) das quatro faculdades particulares de medicina em Salvador:

  • FTC – R$ 8.900,00;
  • Unifacs –  R$ 8.801,03;
  • Bahiana – R$ 4.822,00;
  • Unime – Não deu retorno.

A Unime foi contatada por diversas vezes pela reportagem, mas não soube informar o valor da mensalidade cobrada.

A estudante Gabriela Matos, 21, estudou na Unime entre o primeiro semestre de 2017 e o segundo de 2018, e fala que quando entrou o valor era de R$ 9.968,00. No primeiro semestre de 2019, ela decidiu se mudar para a FTC. “A mudança se deu por alguns motivos. Com o Fies [Programa de Financiamento Estudantil], eu pagava pouco mais de R$ 2 mil. O valor sem o recurso era R$ 9.968,00, o que ultrapassava o teto máximo permitido pelo FIES. Então a cada R$ 2 mil que eu pagava, eles me cobravam por fora R$ 4 mil. Todo final de semestre eu ficava com uma dívida de R$ 24 mil, e eles ameaçavam colocar meu nome no Serasa. Tive que entrar na Justiça algumas vezes”, afirmou.

Gabriela ainda acredita que, pelo valor cobrado, a faculdade não oferece a estrutura que se espera. “A faculdade mais cara da Bahia, e não condiz com nada. Não tem nada. A FTC tem uma clínica específica para os alunos fazerem práticas e atendimento. A obra da clínica da Unime, quando eu entrei, já tinha quatro anos. Foi concretizada esse ano, mas mesmo assim não foi aprovada para poder atender. Tem quatro anos que a justificativa desse valor é essa clínica e, quando ela fica pronta, não pode atender”, concluiu.

Apesar de ser mais barato, o valor cobrado pela FTC também não é compatível com o orçamento de muitas famílias, especialmente em uma cidade como Salvador, onde a renda média é de R$ 973, segundo o atlas do desenvolvimento publicado em 2010. Mesmo com o financiamento do Fies, alguns estudantes não conseguem arcar com as mensalidades e têm que buscar outras formas de pagar o curso.

Após três anos na busca por uma vaga, Rafael Silva entrou no curso de medicina da FTC no primeiro semestre de 2018. O aluno criou uma vaquinha online com o objetivo de arcar com os cerca de R$ 1,9 mil que ele tem que pagar à universidade mensalmente, após a subtração dos 76% cobertos pelo Fies – para quem faz parte do programa de financiamento, a mensalidade da instituição cai para R$ 7,5 mil.

O estudante já arrecadou R$ 14.743 em uma meta de arrecadação de R$ 90 mil. De acordo com ele, o valor doado cobre as despesas com o curso até o mês de setembro deste ano. “Eu já tenho uns trabalhos informais, mas, pela carga horária, eu não ia ter como ter um trabalho formal que me desse uma renda maior. Minha mãe falou que não poderia mais pagar [a mensalidade], aí veio a Vakinha [site de arrecadação] em mente”, explicou.

Reajustes

De acordo com o que foi visto nos últimos semestres, os preços tendem a aumentar ainda mais. No segundo semestre de 2018, a FTC, por exemplo, cobrava R$7.900,00 de mensalidade, o que representa 11,3% de aumento. Vale lembrar que esse valor é colocado apenas para aqueles que acabam de entrar na faculdade. O reajuste a partir do momento em que o aluno ingressa na universidade tem uma variação muito menor, e ela acontece anualmente. Aquele(a) que entrou no segundo semestre de 2018, por exemplo, no  primeiro semestre de 2019 vai pagar 8.200, o que representa 3,8% entre os anos de 2018 e 2019.

Perguntado sobre o assunto, o coordenador do curso de Medicina da FTC, André Nazar, justificou que essa prática ocorre porque o aluno que entra no  primeiro semestre de 2019 terá a seu dispor muito mais recursos do que aquele que entrou em 2018. Isso porque, de acordo com ele, a FTC fez vários investimentos nos dois últimos semestres, como laboratórios morfofuncionais, cadáveres sintéticos, curso de mestrado, uma nova clínica no campus paralela, além de softwares de computadores para o treinamento de fisiologia, anatomia e histologia.  

Nazar afirmou que o aumento da mensalidade para alunos que entram na faculdade, entre semestres, é de apenas 6,5%. No entanto, o número não corresponde com o aumento de 11,3% entre 2018 e 2019. Carlos Eduardo Dantas, um dos estudantes entrevistados, afirmou que quem entrar no segundo semestre de 2019 começará o curso pagando R$9.800. A informação foi desmentida por Nazar, que insistiu que o aumento será de apenas 6,5%.

As outras universidades, como a Unifacs e a Bahiana, não apresentaram um aumento tão grande em comparação aos valores dos semestres anteriores. A variação de mensalidade da Unifacs entre 2018 e 2019, por exemplo, foi de R$ 8.074,34 para R$ 8.800. Já a Bahiana, a mais barata, subiu, no mesmo período entre R$ 4.410 e R$ 4.822,00.

Veja no infográfico a seguir o aumento das mensalidades dos alunos dessas faculdades nos últimos três semestres:

De acordo com a Lei 9.870/99, as instituições particulares são obrigadas a realizar comprovação de seu índice de reajuste de mensalidade através de uma planilha. O aumento pode ser justificado por investimentos na infraestrutura ou no bem-estar dos alunos.

Universidade Pública
Os seis anos da faculdade de medicina também podem ficar mais caros para os estudantes dos institutos públicos. Criticado pela gestão da educação, o governador Rui Costa defendeu no dia 20 de maio a adoção de mensalidade nas universidades públicas, que, para ele, não deve ser tratada como tabu. “Uma família pagou educação privada a vida inteira não tem condição de contribuir com a universidade? Qual o problema disso?”, afirmou a jornalistas. Gerida pela estado, a Uneb está em greve.

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