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Universitários baianos investem no Tesouro Direto

- 5 de julho de 2017

O ID 126 foi buscar estes novos investidores e especialistas para entender quais os riscos e vantagens deste tipo de investimento 

Maryanna Nascimento e Priscila Santos

Raiza Costa, 22 anos, sonha com o intercâmbio. Taís Queiroz, 21, com a independência financeira. Iure dos Santos, 20, só quer acumular dinheiro. Apesar dos interesses distintos, esses três jovens universitários baianos têm uma coisa em comum: uma conta aberta no Tesouro Direto. O programa que tem mais de 1,3 milhões de investidores cadastrados, pertence ao Tesouro Nacional e vende títulos públicos federais por meio da internet para pessoas físicas. Ou seja, pessoas como Raiza, Taís e Iure emprestam dinheiro para o governo em troca de juros.

A grande vantagem desse tipo de investimento é a acessibilidade, segurança e rentabilidade, de acordo com Edisio Freire, planejador financeiro pessoal. “Investir no Tesouro é muito simples. Aliado à rentabilidade, isso torna o investimento ainda mais atrativo”, diz. Quando o assunto é a segurança, todos os tipos de ativo estão lastreados no governo e as coisas só caem por água abaixo se ele quebrar. “O governo não deixará de honrar os seus títulos, por isso o Tesouro é seguro”, assegura.

Ainda segundo Edisio, mesmo que os investimentos no Tesouro sejam protegidos, muitos não têm a mesma coragem dos estudantes por insegurança e a explicação pode ser o governo de Fernando Collor de Melo (1990-92). “Ele confiscou a poupança e muitos ainda têm resistência em investir em algo associado ao governo”, constata. Por outro lado, Edisio afirma que “com o advento da tecnologia as pessoas estão começando a se informar mais” e esse é exatamente um dos motivos que levaram Taís a investir no Tesouro.

“Uma dica para o estudante universitário é dar os primeiros passos através do Tesouro Selic, por conta do baixo risco caso esse estudante precise vender os títulos antes do vencimento”, sugere o professor Cleiton Silva.

Taís Queiroz, 21, durante a palestra realizada pela Liga de Mercado Financeiro da UFBA. Ela investe no Tesouro Direto desde 2015 (Foto: Labfoto – Liz Santana)

Segundo a estudante de Engenharia Química da Universidade Federal da Bahia (Ufba), o seu primeiro investimento nos títulos públicos foi há dois anos. “A economia não estava indo bem e as taxas eram boas. Aproveitei a oportunidade”, conta. A descoberta de Taís não precisou de nenhuma força-tarefa, apenas de um computador com conexão de internet e disposição para pesquisar. “Eu acompanhava algumas notícias na internet e seguia canais no Youtube. Só investi depois de pesquisar muito”.

Mapa do tesouro

Nadine de Moura, 18, viajou para Salvador no final de junho só para assistir o minicurso ‘Lucrando com o Tesouro Direto’, promovido pela Liga de mercados financeiros da Ufba. A estudante de Economia da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) estava lá por um sonho, daqueles “que se sonha junto”, como diria Raul Seixas. “Eu e mais quatro amigos queremos viajar pela América Latina daqui a uns 5 ou 6 anos e pretendemos juntar dinheiro para acomodação e alimentação”, planeja. Porém, ela ainda não sabe muito bem por onde começar.

Antes de investir nos títulos públicos, o grupo de futuros mochileiros precisa seguir algumas etapas essenciais. A primeira, é possuir CPF e uma conta corrente em uma instituição financeira. Depois, é só escolher um banco ou uma corretora para intermediar as suas transações com o Tesouro Direto. É possível encontrar uma lista com informações úteis, como por exemplo, quais as instituições aptas, se cobram taxas ou não, ou ainda se possuem uma plataforma online que trabalha de forma integrada com o Tesouro Direto, oferecendo comodidade na hora de realizar as transações, no site do próprio programa.

Depois dessas etapas, mais uma escolha precisa ser feita: em qual título público investir. De acordo com o educador financeiro Angelo Guerreiro, alguns critérios precisam ser levados em consideração. “Primeiro deve-se ter em mente a finalidade da aplicação, ou seja, ter um objetivo”, explica. Depois de definir a finalidade, o investidor “deve escolher um papel com prazo de vencimento adequado à realização do objetivo”.

O “papel” ao qual Angelo se refere são os títulos públicos. Eles são divididos em duas categorias: os pré-fixados, onde é possível saber qual será a rentabilidade exata do valor total até a data de vencimento e os pós-fixados, nos quais a rentabilidade do investimento é formada por uma taxa definida previamente no momento da aquisição do título somado a variação de reajuste, que pode ser a Selic (taxa básica de juros da economia) ou o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Cleiton Silva, professor da UEFS, indica que o universitário deve dar os primeiros passos através do Tesouro Selic (Foto: Labfoto – Liz Santana)

Em entrevista ao ID126, o professor e pesquisador na área de macroeconomia, Cleiton Silva, disse que a escolha do título dependerá muito do interesse do estudante e da renda disponível para a realização do investimento. “Uma dica para o estudante universitário é dar os primeiros passos através do Tesouro Selic, por conta do baixo risco caso esse estudante precise vender os títulos antes do vencimento”, afirmou.  Para objetivos em longo prazo, como a aposentadoria, o recomendável é investir em um título com um vencimento mais longo, 2035 ou 2045.

Cuidados ao investir

Apesar de ser o seu primeiro investimento, Raiza Costa, estudante de Geologia da UFBA, tem muito cuidado quando o assunto são as suas finanças. “Escolhi o Tesouro por ser conservador e considerei que seria uma ótima porta de entrada para o mundo dos investimentos”, confessa. Além disso, ela também se preocupou em escolher mais de um título, de acordo com os seus objetivos, que vão do curto ao longo prazo. “Invisto no Selic como reserva de um fundo de emergência e para um intercâmbio no próximo ano; para a aposentadoria escolhi o IPCA 2045”, diz.

Ainda que caxias, Raiza tem a possibilidade, mesmo que baixa, de perder dinheiro ao investir no Tesouro Direto. Uma das hipóteses em que isso pode acontecer é se ela vender o título IPCA antes da data de vencimento, que é em 2045. Nesse caso, o preço pago pelo mercado poderá ser inferior ao do dia da compra. É por isso que no mundo dos investimentos o fator tempo é uma variável importante.

Quando o assunto é a taxa Selic, ela apresenta queda e esse pode ser um dos critérios na hora de definir qual título público comprar. Segundo Cleiton, quanto maior a queda da taxa básica de juros da economia, mais vantajoso se torna o título pré-fixado. Por outro lado, “não dá pra falar de perspectivas econômicas sem salientar os riscos na agenda política, e isso envolve a retomada ou não nas agendas de reforma. Então é bom ter cuidado ao investir em título pré-fixado ainda que o mercado esteja esperando a queda da Selic”, opina.

O que é a LMF-Ufba?

A Liga de Mercado Financeiro da Universidade Federal da Bahia, (LMF-Ufba), é uma associação civil, sem fins lucrativos, formada por graduandos do curso de Ciências Econômicas e Ciências Contábeis com o objetivo de oferecer conhecimento sobre o mundo das finanças para a comunidade acadêmica da Ufba. A proposta é disseminar conteúdos relevantes através da realização de cursos, palestras, workshops e outras atividades a fim de aproximar o estudante universitário do mercado financeiro.

Tira-dúvida

  1. Quero começar investindo pouco, uns 30 ou 50 reais, e quero tirar a qualquer momento sem correr o risco de perder dinheiro. Qual a melhor opção pra começar? (Caroll Assis Ormundo,19, estudante de secretariado executivo da UFBA)

O Tesouro Selic é ideal para os que querem investir sem medo de ser feliz. A sugestão que damos para aquelas pessoas que nunca realizaram a compra de um título público ou que não quer correr riscos é investir no Tesouro Selic. Caso surja alguma eventualidade e você precise vender o seu título antes da data de vencimento, isso não vai gerar risco de perda financeira.

Carol, aí vai uma dica: Não se deve investir um dinheiro que você pensa em usar em um curto prazo, por exemplo, para pagar alguma conta, ou dívida. Diante disso, o melhor título para você sempre será aquele que está alinhado com os seus objetivos, a curto, médio e longo prazo. Parece difícil, mas acredite, não é. No próprio site do Tesouro Direto tem orientação financeira e pode te ajudar nessa tarefa.

2. Afinal, o que é Tesouro Direto? (Lara Pinheiro, 24, estudante de jornalismo da UFBA)

O Tesouro Direto é um programa de Tesouro Nacional destinado para pessoas físicas que permite a negociação de títulos públicos. Em outras palavras, é um ambiente virtual no qual é possível emprestar dinheiro para o governo que irá te devolver com um lucro maior resultante dos juros compostos. Começando a partir de R$ 30, depois de 4, 5 ou 10 anos ele pode resultar em R$300, R$ 3000 ou até quem sabe R$ 30.0000. E não precisa ter medo, o investimento é seguro, o Governo Federal garante que vai te pagar.

3. Quero investir com outras pessoas. Dá pra abrir uma conta em grupo? (Nadine de Moura, 18, estudante de economia da UEFS)

O site do Tesouro Direto informa que a conta é feita por CPF, ou seja, cada um tem que ter a sua conta. E, acredite, é melhor assim! Amigos, amigos, negócios à parte.

Design: Maryanna Nascimento e Priscila Santos

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