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Tatuagens suspeitas

- 18 de novembro de 2014

Cartilha lançada pela PM-BA gera polêmica ao relacionar tatuagens à prática de crimes

Thaís Santos e Raul Aguilar 

Palhaço, índia e personagens de filmes de terror estão entre os símbolos mais tatuados em criminosos, segundo a cartilha de orientação policial Tatuagens: desvendando segredos, criada pelo Capitão Alden José da Policia Militar do Estado da Bahia (PMBA). Estas imagens seriam sinais de praticantes de crimes como tráfico de drogas, assaltos e homicídios.

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“Estima-se que hoje na população carcerária do Brasil, mais de 60% dos presos do sexo masculino tenham algum tipo de desenho estampado no corpo. Sendo que aproximadamente 20% afirmam ter se tatuado enquanto cumpriam pena”, assegura, para justificar a criação do catálogo de imagens. A cartilha tem a finalidade de oferecer informações adicionais aos agentes de segurança pública. “Percebemos que as tatuagens narram a história do preso e do grupo ao qual está inserido. A questão da tatuagem no meio criminal se tornou uma identidade, uma forma de demarcação estilística”, afirma Alden, que alega ter feito a cartilha com base em uma década de pesquisa.

No entanto, há quem defenda outro ponto de vista, como o psicólogo criminal do centro de recuperação Fundação Dr. Jesus, Jamilton Vasconcelos, que abriga infratores e dependentes de drogas. Embora concorde que a tatuagem possa revelar a ligação de algumas pessoas com crime, essa relação não é obrigatória. Nos casos em que as associações criminosas existem, o psicólogo destaca que é normal os indivíduos entrarem em conflitos com suas imagens após o tratamento. “Ao chegar no centro para o tratamento muitos que tem as tatuagens presentes na cartilha negam que tenham relação com o crime, outros assumem. Observo bastante que depois que participam do processo de recuperação, alguns passam a repudiar essas imagens”, afirma.

Vale destacar neste caso que as tatuagens servem como fonte de informações entre os próprios detentos e podem indicar nível de periculosidade, crimes cometidos e pertencimento a facções. Dividida em categorias, a cartilha traz informações sobre o significado das tatuagens e suas variações e o tipo de indivíduo que as possui. Também é possível encontrar questões que envolvem facções e máfias internacionais.

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Preconceito – Para o estudante Leandro Sena, a tatuagem da índia que ocupa boa parte do braço esquerdo foi inspirada por duas motivações distintas: orgulho e vaidade: “Eu resolvi fazer a tatuagem da índia, primeiro pela a minha vontade expressar o meu orgulho em relação à minha descendência, e segundo por uma questão mais simples: a vaidade de ter uma bela imagem tatuada em meu braço”, revela.

Leandro critica a funcionalidade efetiva da cartilha, a qual chama de “midiática”. O estudante diz não ter medo por estampar no corpo uma tatuagem que seria ligada a assassinos e a traficantes de drogas e aponta o tempo como fator determinante para a banalização da tatuagem na sociedade. “Na verdade, acho essa cartilha muito mais midiática do que policial. Mais uma tentativa da mídia de coibir e manipular os menos favorecidos. Por que é isso que eles sempre tentam fazer. Porém, em relação ao futuro, não tenho receio algum. Esses preconceitos contra tatuagem vêm perdendo força na medida em que a tatuagem vai se tornando algo mais banal”, observa.

Em relação ao caráter discriminatório da cartilha, o Capitão Alden alega que “nem todas as pessoas que possuem tatuagens tem ligação com o mundo do crime, mas uma considerável maioria envolvida com o crime possui tatuagens”. E finaliza: “[o objetivo do catálogo] não é discriminar pessoas que possuam tatuagens, pois seria discriminar o próprio ser humano que ao longo de sua história utilizou a tatuagem como forma de expressão”.

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