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Selfies realçam vaidade de jovens e adolescentes

- 18 de novembro de 2014

Modismo e culto ao corpo fazem das selfies um hábito

Douglas Neves

Certamente nenhum outro termo centralizou tanta atenção nos últimos dois anos quanto a expressão inglesa selfie, abreviação da expressão self-portrait photograph, ou em português: autorretrato fotográfico. A vaidade e o culto ao corpo se tornaram a matéria-prima do hábito de se fotografar, bastante presente na vida de adolescentes e jovens. Essa prática não é necessariamente nociva, de acordo com o psicólogo, psicanalista e doutor em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise pela Universidade de Paris, Paulo Roberto Ceccarelli.

A vaidade que leva ao hábito de se autofotografar com frequência é muitas vezes visto como algo negativo, o que Ceccarelli define como um indicador da “patologização da normalidade”. “Existe uma interpretação equivocada de determinadas práticas, que logo recebem uma conotação negativa, o que nem sempre procede. A vaidade dos jovens e o apego deles pelas selfies não caracteriza algo ruim. Este hábito pode ser absolutamente saudável”, explica.

Segundo Ceccarelli, a “patologização da normalidade” seria toda forma discursiva geradora de regras sociais que são utilizadas para classificar e enquadrar indivíduos. “Regras que determinam como os sujeitos devem proceder a partir de parâmetros que, na maioria das vezes, não levam em conta a particularidade da dinâmica pulsional de cada pessoa”, ressalta.

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Ise Barbosa, de 20 anos, define-se como vaidosa e é adepta dos autorretratos. A atendente chega a perder a conta de quantas selfies faz por dia. “Eu sempre faço uma seleção daquelas fotografias que ficam melhores, mas é claro, que quanto maior a quantidade, mais fácil é selecionar depois”, garante. Apesar de fazer vários registros de si diariamente, Ise garante que não deixa de aproveitar os momentos de lazer em função das fotos. “Na verdade, a própria fotografia faz parte desses momentos. Não acredito que com isso eu perca alguma coisa, muito pelo contrário, eu na verdade saio ganhando um registro disso, que é a própria fotografia”, garantiu.

Quem também garante que sai ganhando em virtude das selfies é a estudante de enfermagem, de 20 anos, Allana Lima. Ela afirma que tira ao menos 15 fotos diárias. “Sempre que mudo o cabelo ou troco de roupa eu faço uma foto de mim mesma. Me considero muito vaidosa, mas nem por isso, quando estou me divertindo, a minha vaidade e o meu hábito me atrapalham”, destaca.

A estudante Allana Lima. Foto: Arquivo pessoal

Allana frisa que sua paixão pelas fotografias não incomoda os amigos ou a família. “A verdade é que as pessoas com quem eu convivo também gostam muito de fotografias, então todos se divertem”, explica. Tanto Ise quanto Allana costumam usar o Facebook e o Instagram para postar as selfies.

Ceccarelli garante que é necessário tomar cuidado com os próprios hábitos e a vaidade, por menos prejudiciais que sejam. “É claro que as pessoas devem se cuidar para não se tornarem compulsivas e os pais dos adolescentes devem estar atentos aos riscos da exposição em excesso na internet, mas sem alardes desnecessários”, finalizou.

Selfie – O termo foi considerado a palavra do ano de 2013 pelo Dicionário Oxford. De acordo com os editores do dicionário, o uso da palavra aumentou 17 mil % desde 2012. A palavra selfie foi usada pela primeira vez em um fórum on-line na Austrália, ocasião em que um usuário teria acidentalmente tirado uma foto dele mesmo. A partir de 2004 a expressão passa a ser usada como palavra-chave no site de fotografias Flickr, mas a popularização do termo começou a ser verificada a partir de 2012, com o uso dessas imagens em sites de relacionamento como Facebook e Instagram.

As selfies são realizadas principalmente por pessoas munidas de smartphones e vão ao encontro de duas características inerentes a sociedade atual: o uso constante de redes sociais e aplicativos; e o culto as celebridades, adeptas do autorretrato. Uma pesquisa datada de 2012 feita pela empresa de tecnologia Cisco, mostrou que cerca de 60% dos jovens nascidos entre 1980 e 2000 checam compulsivamente o conteúdo de celulares inteligentes conectados na internet, incluindo imagens.

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