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Seca prejudica agricultura no Nordeste

- 6 de julho de 2014

Susana Rebouças

A Caatinga é o principal ecossistema do semiárido nordestino. Em 2005, a região teve um aumento de 8,66% de extensão e engloba 1.113 municípios dos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e o norte de Minas Gerais. No total são mais de 20 milhões e 800 mil pessoas habitando a região, sendo 44% na zona rural.

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Seca no interior da Bahia. Foto: Dodó Rebouças

Como acontece – A seca é um dos fenômenos climáticos que mais causa prejuízos na agricultura do semiárido nordestino. Seu início e fim são de difícil determinação e sua progressão ocorre de forma gradativa. Ela é causada  pelas variações climáticas da Caatinga, principalmente pelo El Niño-Oscilação Sul (ENOS), fenômeno no qual há o deslocamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) para uma posição ao norte, não favorecendo a formação de chuvas na região do Nordeste.

Como acontece o fenômeno El Niño. Arte: Paulo Zarif

A ZCIT é o principal sistema atmosférico atuante no semiárido nordestino, e responsável direto pelas chuvas nessa região no período de fevereiro a maio. Ela recebe influência dos padrões de Temperatura da Superfície do Mar (TSM). As anomalias positivas de TSM no Atlântico Norte e negativas no Atlântico Sul, próximo da costa africana, desfavorecem as chuvas na Caatinga. Com isso, a ZCIT se posiciona mais ao norte do Equador. Esse processo se desenvolve lentamente e, se continuada por uma estação, provoca a falta de água.

A seca meteorológica na região semiárida nordestina vem sendo um limitador para o desenvolvimento socioeconômico da região. Nos últimos anos, o fenômeno provocou prejuízos significativos para os agricultores, que, na sua maioria, são de base familiar. Entre 2011 e 2013, por exemplo, a estiagem prolongada causou uma quebra significativa da produção agrícola devido à diminuição do rendimento das culturas, um grande número de animais mortos e conflitos pelo uso da água. Esses fatores resultam em um desequilíbrio econômico e social na região.

Humberto Barbosa, doutor, meteorologista e coordenador Lapis. Fonte: arquivo pessoal

Processo histórico – Humberto Barbosa é doutor, meteorologista e coordenador do Laboratório de Processamento de Imagens de Satélites (Lapis). Em seu livro Mudança e uso do solo no bioma Caatinga, verifica que ocorrem anos de seca após anos de ocorrência do fenômeno El Niño, embora o período seguinte nem sempre seja o de um ano seco. Barbosa constata que já existiram anos secos que não foram antecedidos pelo El Niño.  Além disso, o meteorologista conta em seu livro que podem ser encontrados relatos sobre a seca desde o século 17, quando os colonizadores portugueses chegaram ao Nordeste.

A última seca, a pior dos últimos 30 anos, foi amenizada com as chuvas do início de 2014 e teve sua pior fase em 2012, quando o Nordeste perdeu cerca de 4 milhões de animais. Em 2013, três em cada quatro municípios decretaram estado de emergência.

Gado pasta na seca do interior da Bahia. Foto: Dodó Rebouças

Programas de auxilio ao combate – Em 2013, o governo anunciou um investimento de R$ 9 milhões para o combate da seca no Nordeste. A Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), vinculada à Secretária Estadual da Agricultura (Seagri), confirmou a recuperação da área desmatada da caatinga. A empresa também já vem orientando os agricultores familiares a realizarem o recaatingamento com a distribuição de mudas de umbuzeiro, umburana-de-cambão, aroeira, jatobá e outras plantas nativas. Além disso, projetos de irrigação nas cidades de Paulo Afonso, Tucano, Ponto Novo, Jequié e Jacuípe, no interior da Bahia, estão sendo feitos pela Seagri.

O Lapis tem utilizado dados de satélites e técnicas de geoprocessamento e Sistemas de Informações Geográficas (SIG). Os dados descritos no livro Sistema EUMETCast: uma abordagem aplicada aos satélites Meteosat de segunda geração são adequados para monitorar, mapear e quantificar as mudanças de uso e cobertura da terra, a dinâmica com a qual essas mudanças ocorrem e a evolução da desertificação em diferentes escalas de espaço e tempo.

Segundo o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), uma avaliação feita pelo pesquisador Humberto Rocha, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG/USP), revela que eventos climáticos extremos, como grandes estiagens, tempestades e ondas de calor e frio intensos devem se tornar mais frequente com a elevação da temperatura do planeta. Isso pode continuar a dificultar a disponibilidade dos recursos hídricos nos grandes centros urbanos brasileiros. No Nordeste e no norte Minas Gerais, segundo o pesquisador, a falta de chuva é a principal causa da escassez de água, mas nos grandes centros urbanos, como em São Paulo, o problema é o aumento populacional.

De acordo com o meteorologista e coordenador do Lapis, Humberto Barbosa, as ações cabíveis para diminuir os impactos das secas são:

1 – A construções de cisternas, açudes e barragens;
2 – Investimentos em infraestruturas na região;
3 – Distribuição de água através de carros-pipa em situações de emergência;
4- Implantação de um sistema de desenvolvimento sustentável na região, para que as pessoas não necessitem sempre de ações assistencialistas do governo;
5 – Incentivo público à agricultura adaptada ao clima e solo da região, com sistemas de irrigação.

Sistema de irrigação. Infográfico: Lara Bastos

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