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Saúde mental e vida universitária: Seria a universidade um ambiente tóxico?

Danilo Rodrigues e Fernando Iuri Petitinga - 18 de novembro de 2019
Foto: Marcelo Camargo

Danilo Gois e Iuri Petitinga

O sonho de ingressar em uma universidade pública é algo que acompanha quase todos os estudantes de ensino médio no Brasil. Muitos destes alunos não imaginam que a pressão do período pré-vestibular não para após o ingresso em um curso superior e uma parte destes alunos não consegue corresponder a essas expectativas. Muitos destes alunos desenvolvem depressão, crise de ansiedade e outras formas de transtornos psíquicos ou comportamentais decorrentes da pressão de determinados cursos, geralmente os mais concorridos.

No dia 10 de novembro foi realizada a segunda fase do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e os quase 4 milhões de candidatos correram até ser dada a largada das provas. Essa pressão seguirá até uma nova fase: a vida universitária – não menos corrida e ainda muito mais competitiva. Um estudo de 2017 feito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que 56% dos estudantes brasileiros desenvolvem estresse durante o curso superior. Outro dado é que ficamos em 2° lugar no ranking de países com casos de ansiedade por parte de indivíduos submetidos a provas ou avaliações.

Em um âmbito local, a Universidade Federal da Bahia também registra os seus casos de alunos com estes acometimentos de estresse. Para Gabriella, que cursa o 7° semestre de medicina veterinária, “a faculdade despertou muitos gatilhos na minha saúde mental. Comecei a ter crises de ansiedade e depressão nos primeiros semestres. Seguidos de cobrança, passei a consumir mais energético, café, remédios para alterar meu sono e minha qualidade de vida mudou muito.”

Gabriella não é a única a sentir os danos de uma cobrança excessiva por parte de um curso superior. Uma outra aluna que não quis se identificar conta que “a pressão existente no ambiente acadêmico não é nada saudável, tanto a pressão de muitos professores quanto dos próprios colegas que estão em semestres mais na frente e já pegaram as disciplinas”. Outra aluna do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde revela casos mais complexos ainda, como falta de ética no convívio acadêmico devido à concentração para cursos mais concorridos como medicina e farmácia, até surtos psicóticos com tentativa de lesão corporal por arma branca.

 

Segundo um estudo da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), 80% dos estudantes de graduação brasileiros tiveram problemas emocionais. A pesquisa foi feita entre 2014 e 2016 e avaliou também dados socioeconômicos desses estudantes. Das demandas mais recorrentes apontadas no estudo, seis fenômenos psíquicos são apontados, sendo a ansiedade com os maiores números de casos de manifestações.

Veja o gráfico com os transtornos mais recorrentes em estudantes de graduação:

Fonte: FioCruz

Prestando a atenção na condição psicológica dos seus alunos, a UFBA junto à PROAE (Pró-Reitoria de Assistência e Orientação Estudantil) desenvolve um trabalho denominado PSIU (Programa de Saúde Mental e Bem Estar da UFBA). Esse serviço psicológico é oferecido de forma voluntária e menos burocrática, e apenas depende da ordem de chegada ao ambulatório, que fica na rua Caetano Moura, na sede da PROAE.

Luis Felipe Monteiro é quem coordena o projeto criado em 2017 pela universidade, que visava reunir todos os serviços já oferecidos antes, porém de forma articulada e com o propósito específico de servir às demandas da saúde mental dos alunos. Luis diz que a lógica do atendimento do PSIU não serve apenas para uma situação de crise aguda, mas também foca em demandas latentes nas quais os estudantes vivenciam. O atendimento é feito por psicólogos que aderiram ao projeto.

O programa PSIU possui um atendimento sem burocratização e com uma abordagem de acolhimento, no qual, membros da comunidade acadêmica (docentes, discentes e funcionários) são atendidos sem a necessidade de marcar uma consulta devido ao contato mais humanizado sem necessidade. A instância não possui um aspecto organizacional que contabilize quantas pessoas são atendidas, ou quais casos são mais recorrentes no cotidiano da universidade.

A UFBA, através do SMURB (Serviço Médico Universitário Rubens Braga) e o núcleo de Apoio Psicopedagógico da Faculdade de Medicina da Bahia, promoveu uma mesa no Congresso da UFBA 2019, na qual foram discutidas estratégias para oferecer cuidados específicos à classe estudantil. Estes profissionais buscam perceber as mudanças no cotidiano estudantil principalmente motivadas pela precarização do funcionamento das instituições públicas como um todo, não excluindo-se as universidades.

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