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Salvador via Bike

- 13 de julho de 2015

A bicicleta é um meio alternativo para quem precisa se locomover em Salvador

Mariana Trindade | Foto destaque: BikeSalvador.com

O fluxo excessivo de veículos, quilômetros de congestionamentos e a baixa qualidade do transporte público apontam para a necessidade de alternativas de locomoção na cidade: a bicicleta. O seu uso, no entanto, exige um conjunto de estruturas urbanas que promovam a segurança do ciclista e a possibilidade de realizar variadas rotas pela cidade. Em Salvador, estes recursos ainda estão em desenvolvimento, mas diversas pessoas já usam a bicicleta como principal meio de transporte.

O estudante Abílio Bandeira, 27, é usuário de bike há mais de três anos e afirma que o principal motivo que o levou a optar pela bicicleta foi o tempo perdido aguardando os transportes coletivos: “Perdia muito tempo, não só esperando o ônibus, mas também em engarrafamentos. Além de que com a bike não gasto mais dinheiro com a passagem”, avalia.

Seus percursos diários são definidos pela presença ou não de chuva, já que, em caso positivo, precisa desviar seu trajeto comum. “Quando chove, o Dique do Tororó alaga e acumula muita poça d’água nas margens da pista, nesses casos prefiro subir por Nazaré. Meu trajeto normal tem 5,6 km, mas quando chove são 7,8 km”.

Abílio Bandeira é usuário de bike há três anos e meio.

O biólogo Victor Montalvão, 25, aderiu à bike não só como uma alternativa ao transporte público coletivo, mas também pela sua praticidade e a oportunidade de se exercitar enquanto pedala. Seu percurso diário mais frequente é de casa para a faculdade, que soma 16 km de ida e volta, e ainda é contemplado por ciclovia. “Gosto de ir pela Barra, por ser um caminho mais seguro, mas à exceção deste caso, sempre sou obrigado a dividir o espaço da rua com os carros”.

De acordo com a superintendente de mobilidade urbana do estado da Bahia, Grace Gomes, a implantação de ciclovias é fundamental na medida em que contribui para a redução do transporte motorizado e não provoca impactos ambientais, além de promover a equidade no uso do espaço urbano e inclusão social. “Uma vez que a cidade tiver uma eficiente estrutura cicloviária, a bicicleta vai ganhar novos adeptos, diminuindo a participação do carro e do ônibus na mobilidade da cidade”, prevê Grace.

Diferenças 

Além das ciclovias, existem outras estruturas como as ciclofaixas e ciclorrotas. A principal diferença entre as três é que ao contrário destas últimas, as ciclovias são espaços separados fisicamente (por mureta, meio fio, grade, blocos de concreto, etc.) para o fluxo exclusivo de bicicletas, isolando os ciclistas dos demais veículos. Grande parte das ciclovias de orla de praia, por exemplo, são modelos de vias separadas.

A ciclofaixa é representada por apenas uma faixa pintada no chão, sem separação física de qualquer tipo, e as ciclorrotas são vias em que carros e bicicletas trafegam juntos, com sinalização horizontal e vertical que informe com clareza a existência de ciclistas nos locais, alertando motoristas e protegendo ciclistas.

Segundo Grace Gomes, as ciclofaixas estão sendo muito utilizadas em todo o Brasil, devido ao seu menor custo de execução e ao seu caráter mais didático. “A ciclofaixa leva o ciclista a compartilhar a via que antes era destinada ao transporte motorizado, promovendo a integração do condutor de veículos automotores com o ciclista”.

Infográfico cedido pela Superintendência de Mobilidade do Estado da Bahia

No caso de Salvador a pouca distribuição de ciclovias não é o único problema que preocupa alguns ciclistas. Sua geografia acidentada também é apontada como uma dificuldade. Enquanto Victor Montalvão não vê problema nas ladeiras e acha que fazem parte do exercício, o estudante Abílio Bandeira acredita que ainda que sejam um desestímulo para alguns e que existem estratégias para encará-las. “Conheço pessoas que quando necessitam, simplesmente saem da bicicleta e sobem andando. Mas com o tempo, ganhando fôlego e resistência, fica mais fácil, além do mais, descer ladeira é delicioso!”, brinca.

Estrutura 

O Governo da Bahia, através do Programa Mobilidade Salvador, vem realizando obras de infraestrutura que têm o objetivo de integrar os mais diversos meios de transporte, como metrô, ônibus, BRT (Bus Rapid Transit) e a bicicleta. No total, o governo pretende ampliar a malha cicloviária da cidade para 217 quilômetros, com investimentos de cerca de R$ 41 milhões.

A Avenida Pinto de Aguiar é um exemplo destas obras estruturantes e hoje possui malha cicloviária ao longo de toda sua extensão – três quilômetros em cada sentido da avenida. Outras obras, em andamento, como a intervenção na Avenida 29 de Março (que vai ligar a Orla à Av. São Luís, no Subúrbio) e na Avenida Gal Costa (ligação entre a Orla e Pirajá) planejam ampliar a malha cicloviária já existente, integrando-a ao BRT que também deverá ser implantado nestas vias. Nas requalificações do Centro Antigo de Salvador e do Parque de Pituaçu, também está prevista a implantação de, respectivamente, 13 km de ciclofaixas e 15 km de ciclovia, com bicicletário.

Ciclovia da Av. Pinto de Aguiar. Foto: Alberto Coutinho/ GOVBA

As obras que dizem respeito à Prefeitura de Salvador, em  2015, foram implantados 9,5 km de ciclofaixas, em três localidades: Itapuã, Paralela e Amaralina. Em 2014 foram implantadas mais de 100 km de ciclofaixas e ciclovias, de forma que, se somados aos números deste ano contam-se atualmente 109,7 km de malha viária para bicicletas.

A Transalvador, órgão municipal responsável pela implantação dessas estruturas nas vias urbanas, possui estudo complementar para implantação de 17,9 km de ciclofaixas, ciclorotas e ciclovias nas proximidades do Parque de Exposições, Alto do Coqueirinho e região do Abaeté. Outro estudo pretende criar malha cicloviária, desde a Av. Professor Magalhães até a Av. Paulo VI, totalizando 15,9 km. Existem ainda projetos para implantação de mais 30,4 km de ciclofaixas, ciclorotas e ciclovias nas proximidades da Pituba, Itaigara e Caminho das Árvores.

O bicicletário é outra estrutura fundamental para os ciclistas, para que tenham onde guardar suas bicicletas com segurança e terem a liberdade de seguir para um ambiente fechado ou até mesmo para que usem outro meio de transporte a partir de um determinado ponto. Esta integração, por exemplo, acontece no metrô de Salvador, em que três das seis estações entregues à população – Retiro, Bom Juá e Acesso Norte – possuem bicicletários com capacidade entre 78 e 108 bicicletas, a depender da estação. Os equipamentos ficam disponíveis para uso exclusivo dos usuários do transporte.

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