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Relacionamentos à distância tendem a dar mais certo

Kelven Figueiredo e Maria Quinteiro - 23 de dezembro de 2017

Segundo um levantamento do Centro de Estudos das Relações de Longa Distância as chances de um relacionamento à distância dar certo são de 73%

Namorar à distância não é uma novidade que surgiu com as novas tecnologias e a democratização da internet. Na verdade, a prática apenas se tornou mais popular e cômoda mediante às vantagens e inovações surgiram. A ajuda das redes sociais e aplicativos de relacionamento é tão significativa que, segundo um levantamento do Centro de Estudos das Relações de Longa Distância, dos Estados Unidos, as chances de um relacionamento à distância dar certo aumentaram para 73%.

De acordo com o mesmo instituto 27% dos namoros a distância acabam antes dos seis meses. O número é mais baixo que a taxa representante dos casais que vivem juntos, a qual equivale a 30%. Ou seja, segundo o estudo, é mais provável manter um relacionamento pela internet do que na vida real.

A terapeuta de casais Giovanna Cedraz discorda e diz desconhecer teorias a esse respeito. “O que tem mais se falado nos campos das terapias de casal é sobre os amores líquidos, onde as pessoas estão cada vez mais desistindo das suas relações quando minimamente frustradas, partindo para novos relacionamentos e consequentemente transferindo para as relações futuras as questões não resolvidas”, defende.

Comunicação digital x analógica

Agora já é possível saber onde, quando e o que seu amor está fazendo, basta ter uma boa conexão com a internet e a bateria do celular carregada. Em alguns raros casos, um plano com muitos minutos para ligar já resolve. É o caso do casal Flávia Lima e João Almeida que tem o telefone como principal meio de comunicação. “João não é muito das redes sociais, ele prefere falar ao telefone. A gente se liga quase todos os dias, pelo menos uma vez ao dia. Às vezes conversamos por WhatsApp, assim nos sentimos um pouquinho mais perto”, esclareceu, Flávia.

Rosa e Chico já estão juntos desde 1989 (Foto: Arquivo Pessoal)

Já para o casal Luciano Bartilotti e Renata Bacha, as redes sociais são a melhor opção. Entre os aplicativos mais usados pelos pombinhos estão o WhatsApp, Facebook e Instagram. No entanto, nem sempre foi fácil fazer uma relação à distância se tornar mais presente no cotidiano dos envolvidos. Rosimeire de Jesus (Rosa), casada com Francisco Santos (Chico) há 28 anos, relata que a relação deles começou no carnaval de 1989 e já houve muitos momentos em que tiveram de se adaptar à distância. “Em uma dessas viagens dele no navio da marinha pelo Nordeste, marcamos um encontro em Natal. A expectativa é que ele estivesse me esperando na rodoviária, só que o navio atrasou e eu fiquei esperando por ele durante 8h, o que me deixou muito temerosa e pensando que ele não viria mais. No fim, nos encontramos”, relatou Rosa.

Essa não foi a única vez que Chico teve de se ausentar. Por ser marinheiro, quase sempre estava se mudando. Já morou no Rio de Janeiro, Belém e Salvador, onde se aposentou e reside atualmente ao lado de sua esposa. Segundo Rosa, foi nessa época de mudanças intensas que a comunicação foi mais difícil, já que os preços das passagens eram muito altos e nem sempre era possível telefonar. “Foi quando se intensificou a nossa troca de cartas, telegramas e até postais das cidades em que o navio atracava”, lembrou ela.

O casal Cynthia Lorenzo e José Antônio Lorenzo estão juntos há 26 anos e em vários momentos também precisaram manter a relação longe um do outro. “Atualmente, estamos vivendo a distância, depois de muito tempo de casados, por questão de trabalho”, afirma Cynthia.  Nesse tempo juntos, comunicação já foi mais difícil. Houve um tempo em que eles só podiam usar o telefone para se comunicar. Hoje, eles usam muito o WhatsApp, mas já usaram bastante o Skype em um passado não muito distante.     

Conheça alguns casais

Para algumas pessoas manter um relacionamento à distância é algo fora da realidade, diante das dificuldades que esse tipo de relacionamento pode gerar. Diversos casais preferem terminar os relacionamentos quando à distância vira um empecilho, mas para alguns, isso não é problema quando se constrói um relacionamento na base da confiança. 

 

Sem fórmulas

Para alguns especialistas, não existe uma receita que faça a união “dar certo”, como qualquer outra relação existem desafios, obstáculos e vantagens que devem ser vivenciados pelo casal. De acordo com Giovanna Cedraz, psicóloga e psicoterapeuta individual, de casais e famílias, cada relação tem suas peculiaridades,  logo o que pode dar certo com um casal necessariamente não vai funcionar com outro.

Uma das maiores dificuldades de casais que moram em locais diferentes é a falta do contato físico, e logo a possibilidade de dialogar (pessoalmente) quando existe algum conflito. Apesar das facilidades proporcionadas por aparatos tecnológicos, a internet não tem como substituir esse tipo de diálogo, por isso quem mantém esse tipo de relação tem que estar disposto a enfrentar e conviver com essas intercorrências. Para Giovanna, as coisas devem estar claras entre os casais. “É necessário ambos estarem dispostos a viverem esse formato de relação e consequentemente terem que conciliar suas individualidades com o propósito do casal, os desejos e planejamentos conjugais exigem concessões que precisam ser compatíveis com os desejos individuais, isso é válido também para relações de presença física constante” comenta.

Para Soninha, que mora em Salvador, o ponto positivo de namorar com Marcelo, que vive em São Paulo, é que não há tempo para brigas (Foto: Arquivo pessoal)

Os relacionamentos à distância também têm um lado, que para algumas pessoas, é visto como positivo, como a falta da rotina, da convivência que na maioria das vezes geram conflitos entre os casais. Para Alcione Alves, médica, psicoterapeuta sexual e coach, a falta do cotidiano nessas relação pode acabar criando uma ideia de que sempre existe uma “novidade” uma “coisa boa” no relacionamento. Outra questão levantada por Alcione é a questão da idealização do casal, que pela falta de convivência pode acabar existindo uma ideia do parceiro ou parceira que não é real.

“Isso vai, infelizmente, mantendo alguns relacionamentos por mais tempo porém a pessoa é capaz de se decepcionar quando entra na rotina, as pessoas podem constatar “você mudou, você não era assim , acontece que a falta da rotina impede que as pessoas sejam o que ela são na verdade “ comenta a psicoterapeuta.

Mas como todos os relacionamentos, sejam ele à distância ou não, é preciso haver um diálogo e a vontade de estar junto, vinda das duas partes da relação. Sonia Trom, além de manter um relacionamento à distância, também é psicóloga e deixa uma dica para todos os casais:

“ Em relacionamento à distância ou junto todos os dias, é necessário que exista um equilíbrio, por mais que more na mesma cidade, no mesmo bairro, precisamos de um tempo sozinho, então independentemente da idade, independentemente de onde esteja, é necessário ter um tempo a sós e ter um tempo a dois, excesso e falta dá no mesmo, eu costumo falar isso, nada que falta muito e nada que é demais é saudável, então é só encontrar o equilíbrio” comenta.

Cuidado com o embuste!

 O estudante Lucas Arraz conta que já teve uma experiência não muito interessante ao se relacionar à distância. “Ele morava em Ilhéus e como não saía muito, exigia que nosso relacionamento fosse fechado enquanto eu estava em Salvador. Pouco tempo depois, ele recebeu uma proposta para dar aula de português na Guiana Francesa. Lá, ele subitamente pediu que abríssemos a relação. Só depois eu descobri que esse papo só surgiu porque ele havia encontrado um americano, com quem se casou e já rodou o mundo”, conta.

“Ele inventou que tinha uma doença cardiovascular e precisava de transplante. Criou também uma rotina de tratamento todas às sextas-feiras”

Contudo, Lucas não se decepcionou com esse tipo de relação e assume que faria de novo se fosse o caso. “Cada caso é um caso. Se você pode ter muitos relacionamentos desonestos e que te fazem mal com pessoas próximas a você, porque não podemos achar um certo que seja a distância também?”, questiona.

Com Ramana Olímpia* a história foi mais pesada. Ela conheceu um garoto no carnaval e com um tempo começaram a se relacionar. Ele precisou voltar para o Rio de Janeiro, onde morava e a relação começou a mostrar problemas, já que o rapaz era alguém muito ciumento e chegava a tentar proibi-la de sair com amigos e se divertir, o que não acontecia na prática e causava algumas brigas entre o casal. “Ele fazia muito drama, e até chegava a chorar. Eu odiava essa situação e até considerava terminar”, relata.

Em uma das tentativas de término ele usou uma desculpa incomum para tentar manter a relação. “Ele inventou que tinha uma doença cardiovascular e precisava de transplante. Criou também uma rotina de tratamento todas às sextas-feiras”. Ela ainda explica que só descobriu tudo muito tempo depois com a ajuda da mãe que buscou pelo nome dele e da suposta família na polícia federal, a busca não obteve nenhum resultado. “Até o nome que ele me deu era falso, é como se ele nunca tivesse existido”, recorda-se.

A estudante de Jornalismo Alana Bittencourt relembra de seu primeiro relacionamento a distância começa ainda quando tinha 12 anos e jogava bastante Habbo. Ela conheceu esse garoto no jogo, começaram a conversar e logo namoraram. “Ele era de João Pessoa, nunca o conheci pessoalmente. Outro dia desses estava procurando o vídeo que ele fez pra mim com aquela música “meu amor virtual”, mas não achei” conta aos risos.

A relação parecia ir muito bem, até que Roberta*, também namorada do jovenzinho desconfiou das traições que estava sofrendo e adicionou Alana no Facebook. “Ela contou que era do colégio dele e também era namorada dele. Ficamos abaladas na hora. Se não fosse por ela eu nunca descobriria porque eu era meio bestinha”, assume. No final da história, ambas terminaram com ele e são amigas até hoje.

*A fonte pediu para não ser identificada.

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