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Profissão Gamer

- 30 de julho de 2014

Jogar no computador não é apenas brincadeira de criança, tornou-se mercado de trabalho

Jéssica Chagas

Pode parecer literalmente uma brincadeira, já que estamos falando de jogos de computador, mas o assunto é muito sério. E a profissão também. Os jogos on-line viraram uma febre mundial, o que gerou um nicho de mercado e o surgimento de uma profissão. Atuar como gamer profissional é um trabalho igual aos outros. Exige muitos sacrifícios, empenho, dedicação e estudo.

O passo inicial para entender como funciona esse mercado de trabalho é compreender o significado de alguns dos seus termos chave, como e-sport e stream. O primeiro é usado para designar os esportes eletrônicos e os torneios profissionais de jogos on-line. Já stream se refere ao mecanismo de transmissão on-line das partidas e dos campeonatos. Com isso, é possível que milhares de pessoas de diversas partes do mundo assistam às partidas em tempo real.


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Os campeonatos e os patrocínios são as principais fontes de renda dos jogadores. Como acontece com os atletas de esportes tradicionais, é essa ajuda que permite aos cyberatletas participarem dos torneios, pois o dinheiro investido lhes permite estar sempre com o equipamento de trabalho moderno e atualizado. Com isso, a preparação para os torneios é mais eficaz.  Uma das empresas patrocinadoras é a Logitech. Ela possui uma linha de produtos voltada para o mercado gamer e define de que maneira ocorrerá o patrocínio de acordo com o retorno esperado, do torneio ou da equipe. “A forma e valor de patrocínio é acordado com as equipes e pode variar de acordo com o retorno esperado”, esclarece a empresa.  Gabriel Henud, ou Revolta (RevT), como é conhecido na sua profissão, tem 18 anos e 30 campeonatos participados. Integrante da equipe CNB, ele trabalha e recebe salário fixo jogando League of Legends. “Contando com as premiações e streams, dá para tirar uns R$ 3 mil ao mês”, conta Revolta.

Foto do jogador Revolta(casaco azul) com a equipe CNB. Fonte: arquivo pessoal

Mas quem está pensando que é fácil ganhar dinheiro sendo um jogador on-line está engando. A rotina é exaustiva. Por isso, não basta apenas gostar. Para ser um profissional do chamado e-sport é preciso ser muito mais que apaixonado, tem que respirar jogos on-line dia e noite. Mais do que isso, é preciso ser muito bom no que faz e ter muita força de vontade para treinar constantemente e buscar novas maneiras de jogar melhor. Um jogador profissional treina em média 10 horas por dia – normalmente eles só param para fazer as refeições. Diogo Rogê, o Shini, tem 17 anos e já é um profissional com uma rotina pesada de trabalho. “Passo a maior parte do meu dia jogando League of Legends. Com certeza passo umas 10 horas por dia só jogando. Já participei de mais ou menos 20 campeonatos”, conta Shini.

Os campeonatos são realizados por sites e empresas que têm interesse ou estão inseridos no meio do e-sport. Marcas de roupas, aparelhos eletrônicos, equipamentos para computador e canais de transmissão on-line estão entre os principais patrocinadores. Segundo a Logitech, os torneios e equipes são analisados para que a decisão de fornecer patrocínio seja tomada. “São estudados os torneio e equipes para selecionarmos o que é possível fazer, de acordo com o valor do investimento e retorno gerado”, explica a empresa.

Em países onde a profissão já está mais amadurecida, como a Coreia do Sul e os Estados Unidos, os profissionais recebam salário fixo. Além disso, eles podem se aposentar depois de uma determinada quantidade de prêmios conquistados. Mas não é fácil começar nessa carreira. Segundo Revolta, dedicação é o ingrediente fundamental. Ele deixa a dica para quem pretende ingressar na profissão: “A dica para quem está começando e realmente quer entrar no cenário profissional é que a pessoa realmente dê o máximo de si. Não é fácil e simples chegar a ser um jogador profissional, requer muito trabalho e esforço pessoal”, conta.  O documentário “Free to Play”, produzido pela Valve, mostra a rotina de três jogadores profissionais de Dota 2.

Alguns jogos se destacam pelo número de torneios e valor de premiação. Os games com maior movimentação financeira em torneios são StarCraft II, League of Legends, DotA 2, Counter-strike e Call of Duty. O último torneio de Dota2 aconteceu entre 18 e 21 de julho e teve como premiação para o primeiro lugar o valor de mais de U$ 10 milhões. O segundo maior gasto em prêmios é de quase U$  5 milhões, nos torneios de League of Legends.

No entanto, a profissão ainda é vista com ressalvas aqui no Brasil. Shini está em Portugal treinando com seu time, o KeyD, e precisou driblar o preconceito dentro de casa para conseguir jogar profissionalmente. “No começo recebi várias críticas de meus familiares. Eles não confiavam que tal profissão seria o suficiente para eu me sustentar no futuro. Os que muito me apoiaram no início foram meus amigos, que também jogam. Mas agora minha família também está começando a me incentivar a fazer o que eu gosto”, relembra.

Foto do jogador Shini (terceiro da direita para a esquerda) com a equipe KeyD. Fonte: Arquivo pessoal

Fora do Brasil, jogar profissionalmente é cada vez mais valorizado. Os jogadores são vistos como esportistas e podem concorrer a bolsas de estudos em universidades americanas, assim como ocorre com atletas de esportes tradicionais. No Brasil, apesar das dificuldades de reconhecimento profissional que ainda existem, o e-sport está crescendo: estima-se que uma média de 500 mil reais seja o valor total distribuído como premiação nos principais campeonatos do país. As expectativas é que o cenário melhore cada vez mais. De acordo com Shini, não existe muita diferença entre os servidores, e sim na quantidade de jogadores. “Não existe tanta diferença entre os servidores brasileiros e o europeu oeste, a não ser o fato de existirem muito mais jogadores de alto nível em relação ao brasileiro. Talentos possuímos em ambos os servidores, é mais uma questão de quantidade do que qualidade”, explica.

Um dos fatores que está impulsionando o crescimento do mercado brasileiro é o aumento da quantidade de campeonatos e patrocínio aos gamers. De acordo com a Logitech o cenário competitivo tem crescido no Brasil, o que impulsiona a expansão do mercado: “É um mercado em expansão e com ele, o número de campeonatos, jogos e equipes também deve aumentar”, explica. O próximo campeonato de League of Legends acontecerá no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Segundo Revolta, essa é uma área recente no Brasil, mas as oportunidades são promissoras. “No Brasil essa área vem crescendo bastante, acho que oportunidades existem, sim, para os jogadores. Mas como aqui ainda é muito recente isso tudo, pode demorar um pouco para conseguir as coisas, mas as oportunidades que tem aqui são boas, sim”, explica.

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