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Pequeno, eu?

- 13 de abril de 2016

Com pouco dinheiro e quase sem visibilidade, os partidos pequenos tentam sobreviver e disputar campanhas políticas

Heitor Montes e Luire Campelo | Foto de destaque: Aniel Soares/ Labfoto

Democrático, social, liberal, comunista e trabalhista. Essas palavras provavelmente lhe remetem às siglas dos partidos políticos. E não é pra menos, já que não faltam siglas na política brasileira. Atualmente são 35 os partidos políticos filiados ao Tribunal Superior Eleitoral. Só que enquanto algumas legendas têm vários governadores, senadores e deputados, aparecendo sempre nas notícias e sendo sempre favoritos nas eleições, outras mal tem tempo para falar no horário eleitoral.

Estes partidos pequenos precisam sobreviver e fazer as suas campanhas com pouco dinheiro, já que eles não costumam receber doações de empresas e tem bem menos ajuda do Fundo Partidário. Esse fundo, que se chama Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, é repassado mensalmente aos partidos de acordo com a quantidade de filiados e representantes eleitos que eles possuem. Neste ano, enquanto o PT recebeu quase 8 milhões de reais por mês e o PMDB e PSDB receberam mais de 6 milhões, o PCO (Partido da Causa Operária) e o NOVO receberam menos de 100 mil reais cada.

Para entender como essas siglas sobrevivem, o ID 126 entrevistou três membros de partidos com diferentes ideologias que não possuem representantes na Câmara de Vereadores de Salvador nem na Assembleia Legislativa da Bahia: o PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) e o PTC (Partido Trabalhista Cristão).

Nos últimos 14 anos, Rogério Tadeu da Luz já foi candidato a governador, prefeito e deputado federal. Da Luz atualmente é pré-candidato à prefeitura de Salvador em 2016, pelo PRTB. O objetivo do partido para este ano é eleger de 6 a 10 prefeitos no Estado e de 2 a 4 vereadores em Salvador, mesmo em um quadro em que as campanhas, principalmente as estaduais, são quase inviabilizadas pois não há dinheiro. “Na Bahia são 417 municípios, gastando R$10.000 em cada município, são mais de 4 milhões de reais, é fora da realidade, então se a gente não tem, pra que gastar?”. O partido conta com 10.000 filiados na Bahia e Da Luz acredita, esperançoso, que a política está mudando. “Políticos de carreira como Aécio Neves e Geraldo Alckmin foram hostilizados nas manifestações contra o governo federal em São Paulo, enquanto o presidente do nosso partido, Levi Fidelix, foi ovacionado e convidado para discursar em cima de trio”, afirma.


Campanha de Da Luz para deputado federal em 2006, quando ele era do PSDC (Partido Social Democrata Cristão)

Jean Montezuma, presidente do Diretório do PSTU na Bahia, aponta que o partido não aceita dinheiro de empresas para financiar suas campanhas porque acreditam que não é possível defender o interesse dos trabalhadores sendo financiados pelos patrões. “Todo financiamento das nossas intervenções nas eleições é dado através de doações tanto da militância quanto dos simpatizantes do partido, às vezes até de entidades de classes, que votam em suas assembleias apoiar democraticamente a nossa candidatura”, afirma Montezuma. O PSTU dispõe de cerca de 300 filiados na Bahia.

Rivailton Veloso foi candidato a deputado federal nas eleições de 2014, mas só obteve 6.189 votos. Ainda assim, o presidente regional do PTC, diz que o partido está crescendo “com suas próprias pernas”. Segundo Veloso, o partido tem três prefeitos na Bahia e 16 vice-prefeitos e planejam triplicar a votação. Segundo o TSE, o PTC recebe nacionalmente R$ 263.593,99 do Fundo Partidário, dinheiro que, segundo Rivailton, é pouco para construir uma estrutura viável para o partido se estruturar no país inteiro. A legenda tem por volta de 25.000 filiados na Bahia que bancam a estrutura do partido contribuindo financeiramente através de uma espécie de ‘dízimo’ depositado numa conta partidária, que o partido prestas contas à Justiça Eleitoral.  O financiamento do material de divulgação das campanhas a vereador e deputado do PTC é bancado pelo candidato majoritário da chapa, podendo ser até mesmo de outro partido, como ACM Neto (DEM), candidato a reeleição que será apoiado pela legenda. Apesar de apoiar um candidato, Rivailton diz que as coligações são prejudiciais para os partidos pequenos, pois puxam votos apenas para os candidatos dos partidos grandes.

Vídeo para a internet da campanha de Rivailton a deputado federal em 2014

Menos dinheiro e menos tempo de televisão e menos participação nos debates. O modelo político no Brasil é cruel para os partidos pequenos. Jean Montezuma diz que o tempo de campanha na TV, que já era desigual, tornou-se pior após a reforma política do ano passado. “Já era bastante desigual no modelo anterior. O tempo anterior dos grandes partidos, às vezes associados a 17 legendas, tinha o tempo de TV em até dez minutos, enquanto nós tínhamos 55 segundos. Hoje, para a campanha para prefeitura, nós temos 15 segundos. É completamente desigual e antidemocrático. Nesse tempo mal dá para falar Renata Malet, nossa pré-candidata, quanto mais discutir e apresentar propostas e usar esse tempo que seria para democratizar o acesso dos partidos aos programas, mas só reforça as legendas maiores”

Tudo parece conspirar contra os partidos pequenos. Porém, eles mantêm a esperança. “Assim como na Bíblia, Davi um dia vai matar o Golias”, disse Rivailton. Só que esse abismo é cada vez maior.

O som das campanhas

Para partidos grandes e pequenos, os jingles políticos podem fazer toda diferença para conquistar eleitores em períodos de campanhas eleitorais. As melodias podem custar de preços irrisórios a milhares de reais, mas o investimento nem sempre é garantia de sucesso: os jingles produzidos a baixo custo podem se tornar reconhecidos pelos eleitores e atrair votos, enquanto aqueles com alto investimento, por vezes, podem ser rejeitados pelo público.

Um jingle, que deve ter entre trinta segundos a um minuto, pode diferenciar um candidato dos outros. Por isso, a composição deve ser pensada cuidadosamente, levando em consideração desde o perfil do político até o público-alvo. “O jingle tem o poder de eleger um candidato e quando cai no gosto popular, pode transformar a cabeça dos eleitores”, avalia o cantor e compositor Nando Borges, experiente em campanhas eleitorais.

Mesmo para partidos pequenos e com pouca verba, o jingle não pode deixar de existir no processo eleitoral. “Vado é uma pessoa humilde e não tem condições de pagar os estúdios, mas como ele sempre foi divertido, não tem dificuldades para criar seus jingles”, afirma Mário Leal, assessor de comunicação do vereador Vado “Malassombrado”.

As produções dos jingles podem durar de algumas horas até uma semana. Caso o cliente já tenha uma letra pronta, o estúdio pode finalizar o trabalho em até três dias. “Dificilmente os clientes aceitam o produto de primeira. Sempre há necessidade de ajustes. Reunimos novamente os músicos, arranjadores e isso requer tempo e dedicação’’, diz Aline Rangel, produtora do estúdio de música W.R.

Geralmente, o próprio candidato opina sobre o jingle, a letra e o arranjo. O estilo também pode ser orientado, e varia entre lúdico, educativo ou institucional. O músico e administrador Marcos de Barros, que está no mercado há cerca de dez anos, comenta sobre o processo de produção do jingle. “Às vezes a agência de publicidade já passa a letra pronta”, relata.

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