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Nordeste do aconchego e das oportunidades

- 6 de julho de 2014

Carolina Arosa e Layla Neiva

Nordeste, para muitas pessoas, é a tradução da alegria no verão, das festas e das praias. Das roupas de chita e do couro do cangaço. É a terra dos “oxentes” e das “mainhas”. Do povo sofrido que passa fome e sede, mas que não desiste e ainda tem esperança. Para muitos, o Nordeste é sinônimo de férias, para outros é sinônimo de lar. A verdade é que não há como definir a região sem limitá-la e cair em estereótipos.

Fica difícil imaginar a ideia de nordestinos que vivenciam a cultura local cortar suas raízes quando precisam sair da região. Em estudo publicado pela Revista Eletrônica do Centro de Estudos do Imaginário, a pesquisadora Ester Lindoso discute sobre a ideia de reconhecimento enquanto nordestino. Para além do local de nascimento, ainda há a ideia de que as pessoas vivenciam o lugar e as práticas culturais dele. Mesmo aqueles que precisam deixar sua cidade natal, continuam a compartilhar e viver o que sempre lhes foi comum.

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De volta para casa – É difícil ser indiferente às belezas naturais e históricas dessa região de cultura tão rica. O Nordeste, atualmente, atrai pessoas das mais variadas regiões do mundo não só pelo turismo, mas pelo seu potencial econômico e de desenvolvimento. No cenário brasileiro não é diferente. Em 2010, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a região apresentou o maior número de pessoas que voltam a morar na sua cidade de origem.
Migração de retorno. No Nordeste, destaque para o estado de Pernambuco. Fonte: IBGE

Com um histórico de êxodo, por conta das dificuldades climáticas e econômicas, a população do Nordeste, em grande quantidade, migrava para regiões que pudessem oferecer melhor qualidade de vida. Com o passar do tempo, essa realidade se alterou. Na mesma pesquisa feita pelo IBGE, pode-se verificar que a volta de nordestinos à região foi bastante significativa no início dos anos 2000. Pernambuco lidera o ranking com de 23% dos imigrantes que retornaram para casa.

A pernambucana Maria de Lourdes Simões conta que na década de 1980 foi embora para São Paulo em busca de emprego. “Passei 22 anos lá. Fiz um pouco de tudo, fui garçonete, camareira, recepcionista. Mas sempre tive o desejo de voltar pra casa, para minha terra. Em 2003, descobri que tinha um complexo hoteleiro sendo construído na minha cidade e que ia contratar muita gente. Consegui o emprego, voltei para o meu Nordeste, para o meu Pernambuco”, declara feliz.

Terras de oportunidades – Com o mercado em ampla expansão imobiliária e implantação de complexos industriais, o Nordeste também conquista quem busca melhores chances de emprego e renda. É o caso do administrador Alberto Freitas. “A primeira vez que eu fui a Fortaleza foi a trabalho. Dois meses depois me chamaram para trabalhar na cidade, em um novo empreendimento, e desde então não me imagino morando em outro lugar. Moro aqui há mais de 10 anos e já construí minha casa e abri uma empresa. Foi a cidade que me acolheu e que eu escolhi para chamar de minha”, conta.

“No Ceará eu me sinto menos estressado do que em qualquer outro lugar que já fui. Por isso, decidi construir minha vida aqui”, conta Alberto. Fonte: Arquivo pessoal

Aline Marques, carioca que reside em Salvador, revela que se sente muito acolhida na cidade e que o calor humano do baiano a conquistou. “Foi difícil saber que ia ter que sair do Rio, sempre soube que poderia acontecer, já que meu pai é militar. Foi complicado ter que mudar na adolescência, deixar tudo para trás, amigos, escola, família. Mas, quando cheguei a Salvador, fui me encantando aos poucos, aprendendo a amar a cidade. Aqui ganhei até paz de espirito. Amo morar aqui, amo o Rio Vermelho, moradia da minha protetora, Iemanjá”, declara.

Aline apresentando os pontos turísticos de Salvador para família. Fonte: Arquivo pessoal

Pelo mundo – Apesar da fama de boa receptividade que têm as cidades nordestinas, algumas pessoas que moram na região ainda precisam dar adeus às suas terras, aos costumes e ao clima, como é o caso de Priscila Batista, baiana que vive em Nova Jérsei há mais de 12 anos, e afirma que a saudade de Salvador é forte, especialmente da comida local. “Meu pai veio morar aqui (no Estados Unidos), investiu em negócios e acabou montando uma agência. Eu vim com meu marido trabalhar com ele, construímos nossa família aqui, meus filhos são americanos. Não acredito que eu volte para o Brasil, mas a saudade é enorme. Passo as minhas férias na Bahia e quando volto para cá trago estoque de dendê, farinha, camarão seco e muitas fitinhas do Senhor do Bonfim”, revela.

Já o estudante Felipe Sousa, de São Paulo, se mudou para Salvador ainda criança e cresceu com os costumes da cidade na sua rotina. “Eu não nasci na Bahia, mas me mudei para lá quando eu tinha 10 anos. Me considero baiano. Tive a oportunidade de vir fazer faculdade nos EUA e não podia deixar escapar. Morro de saudade do calor, das festas e, principalmente, das comidas. Aqui tem bastante restaurante brasileiro, mas fica difícil ir. Espero poder aproveitar o Brazilian Day deste ano e ver a lavagem de rua que acontece”, relata.

“Logo que me mudei para Bahia, minha família decidiu conhecer o resto do Nordeste. Essa foto é na minha praia preferida, em Aracaju”, relata Felipe. Fonte: Arquivo pessoal

Encontro da cultura nordestina – Difícil encontrar nordestinos que não sintam falta de sua terra e seus costumes. O povo nordestino vive a cultura do lugar onde nasceu, onde quer que esteja. A prova disso são as festas e feiras que acontecem pelo Brasil e até pelo mundo. Não faltam restaurantes e mercados brasileiros com iguarias nordestinas à venda, fazendo com que as raízes culturais ainda estejam presentes na vida de quem nasceu nessa terra.

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