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Nordeste: a região mais violenta do país

- 6 de julho de 2014

Aumento da movimentação econômica na região pode ser a causa do fenômeno

Ailton Sena e Wilka Brasil

O Nordeste brasileiro não só é a região mais violenta do país, como também a mais violenta do mundo. A constatação é de um estudo feito pela ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Nacional, divulgado no início de 2014. A pesquisa analisou os municípios com mais de 300 mil habitantes e enumerou as 50 cidades mais violentas do mundo. Deste total, 16 são brasileiras e nove nordestinas.

O estudo aponta Maceió (AL) como a 5ª cidade mais violenta do mundo. Lá ocorreram 795 mortes violentas somente no ano de 2013. Entre as outras cidades nordestinas apontadas pelo estudo, seis são cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. São elas: Fortaleza (CE), Natal (RN), Salvador (BA), Manaus (AM), Recife (PE), Belo Horizonte (MG).

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Apesar do alarde que uma pesquisa internacional como esta pode causar, os dados por ela apresentados não são ou não deveriam ser novidade. As edições publicadas do Mapa da violência apontam que, desde 2006, as taxas de homicídios do Nordeste superaram as da região Sudeste. Desde então, tornou-se a região mais violenta do país.

De 2002 a 2012, foi registrado um crescimento de 73,5% da taxa de homicídios por 100 mil habitantes. Logo em seguida vem a região Norte, que no mesmo período teve um aumento de 71,5%. Em contraponto, na mesma década, a região Sudeste registrou uma redução de 43%.

Alagoas, Ceará e Bahia são os líderes nordestinos em violência. De 2002 a 2012, eles tiveram, respectivamente, aumento de 88,7%, 136,7% e 221,6% na Taxa de Homicídios. O primeiro é o líder nacional em violência. Em 2012, acumulava 64,6 assassinatos por 100 mil habitantes. Na década, somente Pernambuco apresentou retração da taxa: -32,3%. O estado é pioneiro na implementação da política Pacto Pela Vida.

Para o pesquisador Luiz Cláudio Lourenço, é difícil apontar a causa do aumento da violência no Nordeste. Contudo, o dinamismo econômico experimentado pela região durante os últimos anos é uma boa pista para tentar explicar o fenômeno. Lourenço é vice-coordenador do Laboratório de Estudos em Segurança Pública, Cidadania e Sociedade (Lassos) da Universidade Federal da Bahia. “Muita gente tende a acreditar que o crescimento econômico de alguma forma reduziria as taxas de criminalidade. Isso não é verdade. O que acontece, muitas vezes, é que o crescimento econômico torna mais atrativo, algumas cidades, como foco de criminalidade”, explica o sociólogo.

Outro aspecto que pode ter contribuído para a diminuição das taxas de criminalidade na região, na visão do pesquisador, foi o Primeiro Comando da Capital, o PCC. A hegemonia da organização criminosa na região Sudeste teria evitado conflitos por disputas de pontos de drogas. Ao mesmo tempo, o PCC se encarregaria pela resolução de conflitos nas localidades em que atua para evitar a atenção das autoridades policiais. “Aqui na Bahia, por exemplo, temos diferentes grupos criminosos que brigam o tempo inteiro pela hegemonia. O mercado ilegal não é regulado tão bem quanto na região Sudeste, sobretudo em São Paulo. Isso seria um dos fatores que nos ajudam a pensar o problema da violência”, aponta Lourenço.

O Nordeste também é perigoso para mulheres. Entre 2009 e 2011, a região possuía a maior taxa de feminicídios – morte de mulher em decorrência de conflitos gênero – do país, 6,9 mortes violentas a cada 100 mil mulheres. Os dados são de um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Entre especialistas, o machismo é apontado como uma das principais razões do fenômeno.

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