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Minha mãe foi morar na casa do médico

- 9 de março de 2016

“Quero que todas as crianças que moraram aqui tragam memórias boas, de um tempo bonito”. 

Texto e fotos: Bruna Castelo Branco

Nascida na cidade de Nápoles, na Itália, Irmã Adele Pezone, 77, passou 15 anos em formação religiosa em Milão, antes de ir para o Gabão, na África, e parar em Salvador junto com a sua congregação. No Brasil, deu continuidade ao que chama de sua missão de vida: cuidar dos filhos das mulheres em privação de liberdade. Foi assim que a religiosa, a Arquidiocese de Salvador e a Pastoral Carcerária, ação da Igreja Católica, projetou e viu nascer o Centro Nova Semente — localizado ao lado do Complexo Penitenciário Estadual da Bahia, na Mata Escura — que há 16 anos abriga crianças e jovens na Bahia. Com a ajuda de 15 funcionários, entre eles assistentes sociais e psicólogo, Irmã Adele coordena a casa, atualmente lar de 26 pessoas.

Confira a conversa entre a Irmã Adele e a reportagem do Impressão Digital.

Impressão Digital 126: Como o Centro Nova Semente surgiu?

Irmã Adele Pezone: Essa casa existe desde 1999, porque a lei* passou a não permitir que os filhos fiquem presos junto com as mães. Os filhos das mulheres que tinham uma pena de 25, 30 anos, deveriam ser adotados, mas muitas mães não queriam. Nós, da Pastoral Carcerária, conseguimos esse terreno, que é uma doação do Estado, para fazer este serviço. Não podemos e nem queremos fazer outro. Com a ajuda de amigos italianos nós construímos este ambiente.

*Os estabelecimentos penais destinados a mulheres serão dotados de berçário, onde as condenadas possam cuidar de seus filhos, inclusive amamentá-los, no mínimo, até 6 (seis) meses de idade” (art. 83, §2 o da Lei Nº. 7210/84, com as alterações da Lei Nº. 11942/09).

ID 126: Como o Centro se mantém? Funciona com a ajuda de voluntários, parcerias com o governo?

AP: Não funcionamos com voluntários. Temos padrinhos da instituição, que para nos ajudar, levam uma criança para casa para passar um dia. Mas isso é mais para aqueles que saem da penitenciária ainda bebês. Em relação à saúde, todos têm uma carteira do Sistema Único de Saúde (SUS), mas se o hospital público não tiver como atender, eles vão para o particular. Temos parceria com o governo. Ajuda, mas não dá tudo. O que falta, pago com a herança que o meu pai me deixou, e um grupo de amigos italianos ajuda. Também aceitamos doações.

ID 126: O que acontece com a criança quando a mãe consegue a liberdade?

AP: A mãe sai, procura um trabalho, encontra um abrigo e nós acompanhamos, para ver se a criança pode ficar com ela. Se a mãe não tem condições de ficar com o filho, nós mantemos a criança aqui – com a autorização da Justiça. A mãe visita, leva para casa para passar uns dias, para reconstruir ou construir os vínculos entre mãe e filho.

ID 126: Como é o dia a dia no Centro?

AP: Fazemos tudo. É como em uma família. Tem criança que vai para a escola 6h30, outras cão às 7h30 e tem os bebês, que dormem um pouco mais. Depois do café da manhã, eles vão para a escola acompanhados. Quem estuda à tarde, faz o dever de casa pela manhã. A escola das crianças é perto de casa, na Mata Escura. Os adolescentes estudam no Cabula.

Vou cuidar de uma criança desde bebê, e quando fizer 18 boto para fora? Ele ainda não é autônomo. E o meu trabalho? E o meu sacrifício? Fica aqui até ter uma vida autossuficiente.”

ID 126: Qual é o critério para as crianças virem morar no Nova Semente?

AP: Aqui é o último patamar. Nem toda criança tem pai e mãe, o maior número só tem mãe. Se tiver família, aqui não é o lugar delas. Quando não tem família, a mãe pode entregar a criança a uma amiga. Às vezes a mãe tem muito medo de deixar o filho aqui, porque não conhece, acha que o filho pode ser maltratado. Neste caso, a diretora do presídio, Luz Marina, para não fazer a mulher sofrer, a traz aqui para ver onde está o filho. Estamos fazendo um serviço para a mãe e a criança.

ID 126: É a senhora quem busca os bebês no Conjunto Penal Feminino quando eles nascem? Como é esse momento?

AP: Muitas [mulheres] estão preparadas. Elas sabem que a lei só permite que os bebês fiquem com elas só até os seis meses. Então nós vamos lá, nos apresentamos e conversamos. Não se entrega a criança como um pacote. Algumas vezes é um momento muito duro. Se elas abraçam a criança, não as arranco delas. Tenho paciência, espero, espero, espero, até que ela me entregue a criança. O que ela fez não me interessa, só me interessa o bem-estar dela e do bebê. Me interessa que ela saiba que o filho dela é cuidado, porque ela é a mãe. Quero que ela, lá dentro, me sinta como uma pessoa que quer ajudá-la ajudando o seu filho. Porque para mim é uma missão, não é um trabalho. Não ganho nada. Não quero ganhar, não posso ganhar. O bebê é separado da mãe, mas a visita de oito em oito dias, até que ela consiga a liberdade. E nós sempre levamos retratos das atividades daqui, dos eventos, para que elas possam acompanhar todos os acontecimentos.

Irmã Adele trabalha no Centro Nova Semente há 16 anos. Foto: Bruna Castelo Branco

O Centro Nova semente, primeiro e único no Brasil, é uma casa grande, com dois andares e quintal verde. Na sala de TV, um grupinho de quatro ou cinco crianças assistem a Peppa Pig e miam para um gatinho sem nome, também morador da casa. Lá fora, diferente dos dias ensolarados, como garantiu Irmã Adele, a chuva atrapalha a brincadeira e as “traquinagens de criança”. Um parquinho de plástico completa toda a diversão. No terreno grande, há o planejamento de construir mais duas casas, para atender melhor os bebês, crianças e adolescentes. Para esse fim, Papa Francisco, através do Vaticano, doou 300 mil euros à Arquidiocese de Salvador no final de 2013. “Mas ainda não vi nada [do dinheiro]. Precisamos esperar”.

Entre uma pergunta e outra, Irmã Adele conta uma das situações mais inusitadas que já viveu nos 16 anos de Nova Semente. “Uma vez, apareceu uma menina que já morou aqui, mas saiu depois que a mãe foi libertada. Ela teve um neném com 15 anos, e chegou com o bebê no colo. Correu para mim e falou: ‘Irmã, pega meu filho, pega meu filho, saí agora do hospital, pega meu filho’. Eu perguntei: ‘Mas o que está acontecendo?’. ‘Nada, pega meu filho’. Peguei. Fiquei esperando que ela dissesse que tinha alguém correndo atrás dela. Mas não era nada disso. ‘Tudo bem, dá a benção a ele’. Dei a benção e ela agradeceu. ‘Agora ele pode ir no colo de todos”. Antes de ir embora, disse umas palavras bonitas. ‘O tempo mais lindo da minha vida foi o tempo que passei aqui’.”.

ID 126: Quando as crianças começam a entender que os pais estão em privação de liberdade, como reagem?

AP: Começam a fazer piada. No ano passado, chegou uma menina muito inocente aqui, ela tinha 7 anos. Antes, morava com uma amiga da mãe dela, que a levava para as visitas. Quando chegou a hora de ir à penitenciária, ela disse: “oh, todo mundo vai na casa do médico onde a minha mãe está?”. E um mais velho, mais especialista, disse: “que médico, menina? Nós vamos à prisão, não é médico nenhum, é prisão”. E ela: “não, minha mãe disse que ela está nesse médico”. Com uns 8, 9 anos, eles começam a entender, leem mais na escola, e aí perguntam. Uma vez uma menina me perguntou sobre a prisão, e aí eu disse para ela perguntar à própria mãe, no dia da visita. Depois ela veio aqui e disse “perguntei”. “E o que ela te disse?”. “Ela perguntou se a senhora me castiga quando faço coisa errada, eu disse que sim. E depois ela falou que existe um castigo para criança quando faz coisa errada, e um castigo de gente grande quando faz coisa errada. Que é a prisão”.

ID 126: O que mais eles perguntam?

AP: Quando sabem que a mãe está na prisão, não perguntam mais nada, ficam com pudor. A luta é quando começa a adolescência e os pais continuam lá. Normalmente os adolescentes querem sair. Querem provar tudo, alguns perderam mãe, pai e a família. Não têm freio. Então a gente vigia de longe, quando eles saem, por exemplo. Alguém sempre olha para ver para onde eles estão indo.

ID 126: Algum adolescente já fugiu?

AP: [Gargalhadas] De fugitiva, eu tenho só uma, de 16 anos! Ela voltou, e está dando problema. Foi monitorada fora, porque tem muita gente que a gente conhece por aqui. O juiz foi avisado. Mas ela não voltou com uma cabeça justa. Não sabe o que é mãe, pai, tia, tio… Os pais morreram. Ela saiu antes do natal ficou fora até depois do primeiro dia do ano.

Quando as crianças veem esta porta imensa, com jardim imenso, querem morar aqui também.”

ID 126: Como é o relacionamento das crianças entre si?

AP: Como uma família normal. Tem briga, tem brincadeira, cúmplices de alguma coisa errada. Acompanhamos essas fases. Mas também temos crianças que não conseguem estudar, pois têm trauma. Nós acompanhamos, procuramos amenizar a situação, fazemos o que pudemos.

ID 126: Na escola, as crianças têm o cuidado de esconder para os amigos que moram no Centro?

AP: Eles não têm vergonha. Aqui, a população é pobre. Não têm espaço em casa. E quando as crianças veem esta porta imensa, com jardim imenso, querem morar aqui também. Os que moram aqui trazem amigos. Se uma falar: “Irmã, a professora fez uma equipe de quatro meninas, elas me pediram para dormir aqui. Pode?”. “Pode”. Mas se for dormir na casa de uma amiga, quero saber onde é, o que fazem, quem são.

ID 126: Eles podem ficar aqui até que idade?

AP: Para entrar, tem que ser filho de mãe em privação de liberdade e não ter onde ficar. Se a criança não tiver parentes, o último patamar é aqui. Mas, para sair? Tem criança que sai daqui com uma semana, um mês, três meses, outros que ficam a vida toda. Não tem que sair aos 18 anos. Vou cuidar de uma criança desde bebê, e quando fizer 18 boto para fora? Ele ainda não é autônomo. E o meu trabalho? E o meu sacrifício? Fica aqui até ter uma vida autossuficiente. E se a mãe sair e pegar o filho, nós monitoramos.

ID 126: Já aconteceu de uma criança que foi criada aqui, depois de ter saído, ter cometido um crime e ido para a prisão?

AP: Não. Peço a Deus que continue me fazendo esse favor, de não ver uma menina minha lá dentro. Até agora ele está fazendo. Uma vez falei: “Se vocês forem lá dentro, sabe o que eu vou fazer? O meu espírito vai arrancar o cabelo de vocês à noite”. Aí um deles falou, lá dentro, para a mãe. Eu perguntei: “O que ela disse?”. “Disse que, se eu vier parar aqui, vai junto com a senhora arrancar meu cabelo!”.

Leia mais

Confira a matéria feita pelo jornal Correio* sobre a doação que o Centro Nova Semente recebeu do Vaticano.

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