Tags:, , , , , , , ,

Mercado gay: pink money movimenta U$ 3 trilhões por ano

- 11 de dezembro de 2014

Poder de compra de público LGBT cria nicho de mercado e segmentação

Alexandre Galvão e Naiana Ribeiro

Ir à boate todo sábado é uma forma de divertimento. O passeio, no entanto, traz gastos, além de prazer. O táxi, as roupas de marca, a bebida, a entrada no clube e até a “capinha” colorida do iPhone fazem parte de um mercado muito maior. Para o público formado por lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, drag queens e simpatizantes (LGBT), a movimentação de dinheiro é ainda maior.

Configurado para atender as necessidades do público LGBT, o pink money (ou dinheiro rosa) une a necessidade de expressar ideias, poder ser e fazer o que quiser com a movimentação de grandes quantias de dinheiro. Segundo a empresa especializada em marketing Community Marketing Inc., o montante está estimado em U$3 trilhões. A empresa acredita também que mais de 400 milhões de pessoas, representantes de 5 a 10% do mercado global de consumo, movimentam o dinheiro rosa ao redor do mundo.

De acordo com a agência de marketing Witeck-Combs, só em 2011 o poder de compra de gays e lésbicas nos Estados Unidos excedeu U$ 835 bilhões. Uma pesquisa de mercado realizada pela agência Out Now revelou que este público contribuirá, até o final de 2014, com cerca de U$ 202 bilhões apenas para a indústria de viagens. Isso mostra que o pink money já passou de um mercado marginalizado para um espaço sofisticado. O levantamento também concluiu que os EUA e o Brasil lideram o mercado de turismo neste ramo, movimentando U$ 56,5 e U$ 25,3 bilhões, respectivamente.

Leia mais
Beco dos Artistas: de point a decadente
Qualquer lugar é lugar: sexo ao ar livre mistura prazer e perigo 
Cinemas de rua: decadência dá lugar à prática sexual no escuro
Baladas gay atraem público LGBT e simpatizantes
Bares e restaurantes atraem público ‘gay friendly’

No entanto, todo esse poder de compra traz uma carga negativa. O pink Money estimula a segregação dentro do público gay, de acordo com o professor da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob) e integrante do Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade (Cus), Fábio Fernandes. Para ele, o pink money segrega, pois valoriza os modelos de existência heteronormatizados e impõe valores altos a quem quer fazer parte desse “maravilhoso mundo gay” a la The Week/San Sebastian. “Não há um interesse pela diversidade sexual e de gênero. Bichas, sapatas – aqui se apropriando do insulto pra ressignificá-lo -, pessoas trans pobres, pretxs, moradores de favelas, são consideradxs anomalias pelo pink money”, explica.

Pink money no Brasil – No Brasil, o público LGBT também representa um item importante no tocante ao movimento da economia. Segundo o fundador da LGBT Capital, Paul Thompson, o mercado brasileiro faz circular cerca de R$ 300 bilhões. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também mostram o alto poder de compra deste público: cerca de 10% da população brasileira é composta por homossexuais e, desse total, mais de 9,4 milhões são economicamente ativos (potenciais consumidores com poder de compra e renda média individual de R$ 2,5 mil). Segundo o instituto Data Popular, somente em 2013, os mais de 67 mil casais que se declararam gays no IBGE movimentaram mais de R$ 6,9 bilhões.

Segundo a Associação da Parada do Orgulho LGBT (APOGLBT), a explicação para os gastos está na sociabilidade: gays, lésbicas, transsexuais e transgêneros saem mais de casa e ainda gastam mais. A maioria deste público gasta muito porque não tem filhos e consome em benefício próprio. Além disso, os LGBTs prezam pela sofisticação e pelo conforto, por isso, não se incomodam em pagar mais por produtos e serviços de qualidade.

Foto: Matheus Thierry

Points LGBT em Salvador – O mercado LGBT na capital baiana segue uma vertente paradoxal quando comparado à movimentação bilionária que o pink money tem no país. A cidade é marcada, cada vez mais, pelo crescimento de estabelecimentos fechados como points e, sobretudo, pela falta de segurança. Saunas, cabines e boates se reinventam e para tentar resistir ao mercado instável de Salvador.

O editor-chefe do site Dois Terços (especializado em produzir conteúdo para o público LGBT), Genilson Coutinho Pereira, afirma que a instabilidade do mercado soteropolitano é fruto da falta de fidelidade. “As coisas aqui abrem e fecham muito rápido, os clientes não são fiéis. Nos anos de 1980 e 1990 tínhamos alguns pontos mais movimentados com bares e restaurantes na Avenida Carlos Gomes, no Beco dos Artistas e no beco da antiga boate Off. Mas hoje a própria condição da cidade para programas noturnos não é ideal. Uma cidade que às 24h já não tem mais ônibus passando, fica difícil”, constata.

Ainda que não sejam os mesmos pontos de antes, há um mercado forte que movimenta a economia da cidade. “Um estabelecimento – seja boate ou sauna – chega a empregar de 20 a 30 funcionários. Há muitas pessoas envolvidas. A sauna Planetário 11, por exemplo, tem em média 10 funcionários e atrai de 150 a 200 pessoas diariamente. Uma boate como a San Sebastian ou The Hall, recebe em de 400 a 500 clientes em dois ou três dias da semana. Algumas delas chegam a atrair de 2 mil a 3 mil pessoas semanalmente, dependendo da programação. Já as saunas levam de 100 a 300 pessoas por dia”, diz Pereira. Segundo ele, além dos estabelecimentos que estão sempre cheios, existem eventos que atraem o público LGBT, como festas ou pontos como o Largo da Dinha e o Mercado do Peixe.

Já o antropólogo e jornalista Tedson Souza considera que o poder de consumo do público LGBT é mal aproveitado na capital baiana. “Salvador praticamente ignora o pink money. O Centro, que já foi o principal lugar da cena LGBT soteropolitana, hoje é marginalizado por uma série de questões, mas, sobretudo, porque é um lugar predominantemente negro e periférico”, afirma. Para Souza, é preciso profissionalizar o mercado, pois há uma falta de visão e um preconceito por parte do poder público e dos empresários. Segundo ele, a questão racial ainda é predominante. “Por que uma boate de hoje que fica na Orla do Rio Vermelho ou da Barra é bem recebida e tem um público alto? É a lógica do público branco de classe média. Até mesmo no ‘mundo gay’ tem segregação”, desabafa.

Ainda assim, ambientes específicos para o público LGBT existem há algum tempo e continuarão existindo, de acordo com Genilson Coutinho Pereira. “Nesses points e estabelecimentos, sobretudo no caso de saunas e cabines, há a questão da liberdade. Você não precisa ter maiores preocupações: vai ser bem recebido e ainda pode fazer coisas que não faria em outros lugares”, garante.

O Impressão Digital 126 fez um apanhado dos principais points LGBT em Salvador. Confira abaixo no infográfico:

Ciência e Tecnologia

Em defesa da ciência

Sal e álcool ajudam mesmo gelar a cerveja mais rápido? “A ciência explica”, diz o clichê. Neste 8 de julho, no entanto, a ciência dá uma pausa nas explicações para comemorar. Por força das leis 10.221/2001 e 11.807/2008, a data marca o Dia Nacional da Ciência e o Dia Nacional do Pesquisador. Pensados como uma […]

Thiago Freire - 9 de julho de 2018

Comportamento

Brasileiros abusam do humor dos memes em momentos de tensão

Ultimamente esse ditado popular não parece fazer muito sentido para os brasileiros, pois eles fazem questão de provar que uma coisa não elimina a outra através da produção de memes. Se é trágico, pode ser muito cômico, sim! No final de maio deste ano, os caminhoneiros pararam o Brasil com uma greve que durou mais de […]

Rafaela Souza & Victor Fonseca - 3 de julho de 2018

Empreendedorismo na Bahia

Empreendedorismo baiano: Yes, nós temos tecnologia

Em sua segunda edição na Bahia, que aconteceu entre os dias 17 e 20 de maio, a Campus Party (CPBA) reuniu, além de palestrantes, cientistas e apaixonados por jogos e inovações, uma série de pessoas que resolveram empreender e mostrar seus projetos no espaço Startups & Creators. O espaço possibilitou que vários empreendedores apresentassem ao […]

Rafaela Souza, Victor Fonseca - 11 de junho de 2018

Educação

Bahia tem segundo menor investimento em educação por aluno

A Bahia tem o segundo menor investimento por aluno da rede estadual do Brasil. Em 2017, o estado investiu apenas R$ 3.837,51 por aluno da educação básica. Entre os 13 governos estaduais que declararam o investimento em educação básica de 2017 ao Governo Federal, apenas o Pará gastou menos com cada aluno: R$ 3.626,41. O […]

Cícero Cotrim e Yasmin Garrido - 6 de junho de 2018

Palhaçaria

Entrevista com Jonatas Campelo

Ainda não era noite, mas a Casa de Artes Sustentáveis (CAS) já estava em ritmo acelerado. Hoje tem espetáculo? Tem sim, senhor! Até parece um reforço de um bordão que nos remete à magia do circo, mas, sim, em 29 de junho, o artista circense Jonatas Campelo, 30, não se preparava apenas para o espetáculo […]

Cristiana Fernandes - 22 de julho de 2018

Justiça

Metade dos presos na Bahia não foram julgados

Um dos grandes desafios do sistema carcerário brasileiro na atualidade é a quantidade de presos provisórios que o integram. A morosidade do judiciário e a política de segurança pública voltada para encarcerar colaboram com a situação daqueles que sequer tiveram direito a um julgamento e uma condenação, mas foram privados de liberdade. Por meio do […]

Cícero Cotrim e Yasmin Garrido - 9 de julho de 2018

Copa

Copa nas ruas

O mês de junho, tradicionalmente, é um mês de festa na região Nordeste. Os festejos da época para as comemorações dos dias de São João (24) e São Pedro (29) deixam as ruas da capital e do interior mais enfeitadas. As portas das casas, as avenidas, as calçadas, todas são cobertas com as decorações típicas […]

Luís Felipe Brito, José Cairo e Felipe Iruatã - 3 de julho de 2018