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Jovens professores

- 8 de junho de 2015

Os motivos que os levaram a escolher a profissão e suas experiências em sala

Thamires Santos | Foto destaque: Arquivo Pessoal – Marília Costa

O professor é peça fundamental de qualquer sociedade.  E por isso, talvez seja a profissão que exija maiores desafios. Gostar de um trabalho que no país é mal remunerado, banalizado pelo governo e desvalorizado pela sociedade parece distante da realidade de estudantes que estão saindo do ensino médio em busca de uma carreira. Mas, por que, mesmo com tantos desencantos e dificuldades, jovens professores escolheram essa profissão?

“Tive influência porque meus pais são professores”, conta o professor de Filosofia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (Ifba), Saulo Dourado, 25. Apesar do convívio em casa, o interesse pela profissão surgiu na faculdade, quando foi integrante de um programa de iniciação à docência em 2010. Pelo grupo teve oportunidade de dar aulas sem ainda ser licenciado. “Fui gostando das experiências em sala. Ensinando e aprendendo percebi que levava jeito com adolescentes. Notei que tinha vocação para ser professor”, explica.

“Em meio aos fantasmas que rondam a profissão, eles não são maiores quando comparados às relações interpessoais e as experiências que se vive sendo professor”. Esta é a visão do poeta e graduando em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Tiago Correia. Mesmo sendo estudante, o poeta de 22 anos já experimentou a rotina da docência. “O primeiro dia em que estive como professor foi no Ifba, escola em que eu tinha acabado de concluir o ensino médio. Voltei para participar do Curso Introdutório ao Instituto Federal (Ciif) e precisei comunicar aos alunos que eles eram a minha primeira turma”, lembra Correia, “acredito que alguns ficaram esperando o professor entrar, mas tive que comunicar que o professor era eu”.

Saia justa

O universo dentro das salas de aula é organizado de acordo com as relações entre professores e alunos. A convivência diária em sala e até mesmo fetiches criados por adolescentes diante de seus educadores podem ocasionar momentos inusitados. Foi o que aconteceu com Wagner Carvalho, professor dos colégios estaduais Rômulo Almeida e Teixeira de Freitas.

“Em uma situação de assédio, uma aluna me convidou de forma bem direta para ir ao motel”, confessa Carvalho. “Fiquei sem saber o que dizer, mas de certa forma eu já esperava, por ser mais novo [30 anos] e por ser mais acessível aos alunos do que a maioria dos colegas de profissão”.

Já o docente Saulo Dourado conta que até hoje existe um espanto dos alunos ao saber que, com apenas 25 anos, tem mestrado em Filosofia. Segundo ele, “às vezes levo bronca dos porteiros por não está usando uniforme. Eles me confundem com aluno. Nem eles acreditam que sou professor”, brinca.

O professor Saulo Dourado já foi confundido com aluno na portaria da escola em que trabalhava | Foto: Arquivo Pessoal

“Professora, você é muito nova para chamar de senhora, eu posso chamar você de novinha”? Foi com essa pergunta excêntrica que a professora de português Marília Costa, 22, foi abordada na saída da escola onde trabalha. “Eu respondi que não gostaria de ter a minha imagem ligada a esse termo, pois o mesmo dá margem para diversas interpretações que não condizem comigo”, declara Marília.

Docência não atrai

Segundo pesquisa da Fundação Carlos Chagas (2011), apenas 2% dos estudantes do terceiro ano apontou a Pedagogia ou algum tipo de Licenciatura como primeira opção de carreira. Cerca de 600 mil professores que atuam na educação básica — que inclui a educação infantil e os ensinos fundamental e médio — não têm o preparo necessário à função, de acordo com dados do Ministério da Educação (MEC). Já segundo pesquisa do professor da Universidade de São Paulo (USP), José Marcelino Pinto, o número de licenciados no Brasil entre 1990 e 2010 seria suficiente para atender à demanda atual por docentes, apesar de ainda haver escolas sem professores.

“Confesso que tenho medo do meu futuro profissional. Porém, tento não me prender a este aspecto. Espero que em alguns poucos anos, esteja conseguindo passar o meu conhecimento adquirido na universidade, e ter o prazer em saber que de alguma forma contribui para formação de muitos cidadãos”, revela o poeta e graduando em Letras Vernáculas, Tiago Correia.

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