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Fatores emocionais e culturais estimulam o consumo compulsivo

- 22 de outubro de 2014

Compra muitas vezes é utilizada como uma compensação de faltas emocionais, insegurança e inabilidade social

Estela Marques

Homens, mulheres, crianças e adultos podem sofrer do transtorno da compra compulsiva. Isso porque, segundo psicólogos, todos estão vulneráveis a faltas emocionais, à influência cultural e midiática que estimulam o consumo descontrolado e às facilidades de crédito que o mercado financeiro brasileiro proporciona.

A busca pelo prazer pleno e imediato estimula o indivíduo a uma compra constantemente, de acordo com a psicóloga Nina Cunha Moura. A especialista explica que, apesar da sensação de recompensa momentânea, a angústia e a ansiedade logo voltam a se instalar, fazendo com que o indivíduo precise comprar novamente.

O psicólogo Elídio Almeida lembra que a estratégia utilizada pelas propagandas também atinge o emocional do indivíduo vulnerável, por passar a vender um conceito de vida associado à aceitação e bem estar. “E aí as pessoas, por sentirem falta disso no aspecto pessoal em sua vida, vão tentar suprir na aquisição de um bem, de um produto que não necessariamente ela precisa”, explica.

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O retorno simbólico que a compra compulsiva traz muitas vezes não compensa os prejuízos sociais e financeiros. O indivíduo pode desenvolver depressão, ansiedade, baixa autoestima e até pensamentos suicidas. O transtorno também causa problemas familiares e de relacionamento e o indivíduo acaba se sentindo “extremamente culpado”. No entanto, ao invés de inibir o comportamento, essa culpa retroalimenta o ciclo. “Por se sentir culpado, compra para aliviar. Porém quanto mais compra, mais culpa sente. Nesse ponto vemos o quão problemático é esse ciclo. Nesse ponto, passa a ser considerado uma doença”, explica a psicóloga e consultora financeira Paula Cassanho Vaz.

É o caso de Antônio Costa*. As principais peças de consumo do estudante são perfumes, óculos e roupas, mas ele assume que não tem um motivo específico para consumir, além da ansiedade. “Eu sempre acho que não tenho roupa. Fico irritado e ansioso, vou no shopping e sempre volto com uma sacola. Acho que é para me sentir bem vestido”, conta.

Diagnóstico – Qualquer distúrbio que comprometa a qualidade de vida e o convívio social do indivíduo pode ser considerado uma patologia. Por outro lado, não existe um tempo mínimo de consumo compulsivo para diagnosticar a doença. Alguns critérios podem sinalizar o vício, como aquisição de itens desnecessários e interferência no funcionamento social e profissional.

O psicólogo Elídio recomenda que um profissional seja procurado quando o indivíduo perceber que a função da compra foi perdida. “Começa a caracterizar um vício quando você não está precisando daquilo e sua vontade foi preterida nessa situação. Você compra muito mais por um comando, por uma ordem, pelo modismo, do que por uma real necessidade”, explica.

Para identificar quais faltas motivam a compra, o mais indicado é tratamento psicoterapêutico. Algumas técnicas, como a escuta clínica, ajudam o indivíduo a perceber quais são suas reais necessidades emocionais. O tempo de tratamento varia de acordo com o grau de intensidade que o transtorno está instalado na vida do indivíduo e dos prejuízos que lhe causou.

* Os nomes foram substituídos ou modificados para preservar a identidade das fontes.

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