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Espiritismo preserva diálogo com sua herança positivista

- 4 de outubro de 2016

Prática é vista também como filosofia e tem explicações sobre a vida pós-morte baseadas na razão   

Priscila Dórea e Raí Guerra

O espiritismo entendido pelo senso comum como religião tem uma doutrina que o faz se expandir além deste conceito aproximando-se da ciência, principalmente no campo da filosofia. Nascido em uma família de espíritas, o professor de História, Emanuel Nascimento,  63 anos, conta o que a doutrina trouxe de positivo para a sua vida. “Entender as diversidades e desigualdades da vida, o motivo de alguns terem mais habilidades e oportunidades que outros, a doença e a saúde, além de compreender que todos somos capazes de realizar objetivos. Só depende de cada um de nós”, diz.

Para Emanuel, o espiritismo pode ser classificado em três pilares: religião, ciência e filosofia. “Por meio da religião há doutrina e ritos, como orar a Deus antes de começar e terminar as reuniões doutrinárias. Já a ciência pode ajudar a resolver os problemas de ordem material e depois os espirituais”, afirma. Para a definição no campo da filosofia, ele aponta os ensinamentos transmitidos por Jesus Cristo como leis morais.

Laís Sacramento, 22, estudante de geologia, se interessou em seguir a doutrina após visitas quinzenais a alguns grupos de estudos espíritas. “Comecei a segui-la no momento em que havia saído de casa para estudar, final da adolescência e muitos conflitos pessoais. Foi aí que busquei, inicialmente, um refúgio para controlar o desespero. Depois incluí isso na minha rotina”, afirma.

A doutrina ainda ajudou a mudar sua visão de mundo, tornando-a uma pessoa mais calma. “Compreendo os problemas pessoais e do mundo por uma perspectiva menos imediatista e passei a ter paciência e tolerância com as pessoas e situações que não são compatíveis  com meus planos e idealizações. Melhorei no respeito ao próximo e à vida e na fé frente às dificuldades diárias”, completa.

Fenômeno 

As mesas girantes agitaram a Europa no século XIX, levitando no ar e se comunicando através de batidas. Foi quando o alvoroço da sociedade europeia chamou a atenção de Hippolyte Leon Denizard Rivail (1804-1869), um dos discípulos de Johann Pestalozzi, pedagogo suiço que viveu de  1746 a 1827.

Ilustração de Allan Kardec | Fonte: Internet

Além de fluente em vários idiomas e autor de diversos livros, o pedagogo francês Rivail era rigoroso em seus métodos de pesquisa científica, e ainda que não acreditasse de imediato no fenômeno das mesas girantes, estudou-as atentamente, investigando essa força inteligente que identificou como “espíritos dos homens” que haviam morrido. Rivail analisou as respostas das inúmeras perguntas que fez aos espíritos, sempre se atentando à razão. A partir daí nasceu O Livro dos Espíritos, publicado em 1857 e  que o imortalizou sob  o pseudônimo de Allan Kardec.

O Livro dos Espíritos | Fonte: Internet

Considerada a primeira e mais importante obra sobre o Espiritismo, os ensinamentos transmitidos pela doutrina são abordados na obra por meio de quatro partes: Das causas primárias, Do mundo dos Espíritos, Das leis morais e Das esperanças e consolações. Além de reunir os primeiros estudos sobre a doutrina, o autor a classifica como progressista e aberta.

Ao longo do tempo, diversas obras disseminaram conhecimentos sobre o espiritismo, além do aumento significativo de pessoas que passaram a ser adeptas da doutrina, como é o caso de Eduardo Bonfim, 27, coordenador de laboratórios de telecomunicações. “A descoberta de quem eu sou em essência e a convicção de que podemos transformar o mundo para lidar melhor com as nossas próprias mudanças internas foi um dos maiores benefícios que o Espiritismo me trouxe”, explica Eduardo.

De acordo com o censo demográfico feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, o Brasil possui cerca de 3,8 milhões de espíritas. Eles aparecem como o terceiro maior grupo religioso do País.

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