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Entre telas e páginas: jovens leitores na era do touchscreen

- 9 de março de 2016

Escritoras e pedagogas baianas falam sobre a importância da literatura infanto-juvenil na construção do imaginário das crianças na era da tecnologia

Debora Rezende | Foto destaque: Debora Rezende

Tímida, Yanna Lima, 11, ri envergonhada quando questionada sobre qual tipo de livro prefere. “Eu gosto de ler romance”, conta. Estudante do 6º ano da Escola Nossa Senhora da Conceição, ela explica que divide seu tempo entre livros de Paula Pimenta e Thalita Rebouças e postagens nas redes sociais.

Hoje, enquanto a literatura briga por espaço contra celulares e tablets na rotina de jovens e adultos, as formas de leitura se renovam. Para a formação do imaginário infantil, ler vai além das histórias de Monteiro Lobato ou dos Irmãos Grimm. “Acho que os livros infantis são importantes porque ajudam na formação da subjetividade da criança”, afirma a prof. ª dr. ª Mônica de Menezes Santos, professora de Literatura Brasileira do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e Coordenadora do projeto Cartografias da Infância: Lugares e Não-Lugares da Literatura Infantil e Juvenil nos Estudos Literários.

“Tenho um conceito bem amplo tanto de leitura quanto de texto literário”, explica Mônica em entrevista por e-mail. “Acusam as crianças e jovens de hoje de não lerem, e acho que eles leem e escrevem o tempo inteiro, no Facebook ou no WhatsApp. A escola, os professores, é que, muitas vezes, só consideram como leitura os textos que julgam bons, adequados e desconsideram aquilo que as crianças e jovens gostam de ler, como Harry PotterAs Crônicas de Nárnia, os HQs, entre outras coisas”, pontua. Ela acredita que os professores precisam aprender a utilizar as ferramentas tecnológicas utilizadas pelas crianças e adolescentes como suportes de leitura.

Seja por meio da literatura ou do contato com a troca de mensagens, muitas pessoas atribuem à leitura papel importante na sua formação. Para Lívia Viana, 21, estudante de Pedagogia e integrante do projeto coordenado por Mônica de Menezes, o contato com a literatura ainda na infância foi peça fundamental para seu desenvolvimento cognitivo.

“Eu acredito que o hábito de leitura na infância foi de grande importância para a minha formação, visto que tive a oportunidade de ter uma ampliação de conhecimento linguístico e de mundo logo nos anos iniciais da minha vida”, comenta.

Cenário local

Em Salvador, escritoras baianas apostam na relação entre literatura e o imaginário das crianças para desenvolver seus trabalhos. Gláucia Lemos, dona da cadeira 14 da Academia de Letras da Bahia (ALB), carrega a marca de 21 livros infanto-juvenis entre os 38 publicados ao longo da carreira, que começou no final dos anos 1980.

“A chegada dos netos foi a inspiração para o primeiro livro infantil”, conta. “Em três anos me tornei avó três vezes e a inteligência viva das crianças, a curiosidade para a descoberta das coisas do mundo, tudo nas crianças tinha um sentimento novo que parecia esperança”. Autora de títulos como Coração de Lua CheiaO Menino que Acendeu as Estrelas, ela aborda em seus trabalhos o universo da fantasia, além de trabalhar com o conceito da poesia infantil. “Nunca digo que vou escrever sobre isso ou aquilo. O tema aparece no momento em que um objeto ou uma situação se apresentam como possível ponto de partida para uma história”, elucida Gláucia.

Gláucia Lemos, membro da Academia de Letras da Bahia. / Foto: Elaine Quirelli / Divulgação

Mais do que trabalhar as narrativas de modo a incentivar o hábito de leitura nas crianças, a autora enfatiza a responsabilidade dos escritores na hora de desenvolver suas histórias e abordagens. “O texto literário como entretenimento tem o apelo à fantasia da criança, que tende a vestir o personagem e experimentar as suas emoções”, opina. “Ao escrever para crianças, o autor precisa evitar um texto que tenha como objetivo dar lições de moral. A criança quer diversão, e se percebe o objetivo educativo rejeita, percebe que se trata de mais uma lição”.

Outro exemplo de escritora que defende a importância da literatura e da contação de histórias para o desenvolvimento da criança é a baiana Marlu Chaves, mestre em Televisão para Crianças pela Faculdade de Comunicação da Ufba (Facom), e dona da tese de doutorado A Fábrica Midiática Infantil e os Domínios da Publicidade. Com mais de vinte livros voltados para crianças, ela conta como a convivência com histórias foi determinante para seu desenvolvimento.

“Eu já contava história desde muito pequena”, lembra. Formada em Administração de Empresas, ela escreveu sua primeira história, Princesa Primavera, depois de um ano morando fora do País, em Londres. “Quando eu escrevi, falei: ‘nossa, quero fazer isso para sempre. Até de graça eu faço’”, brinca. Esse momento foi determinante na carreira de Marlu, que investiu tudo – até o dinheiro do enxoval de casamento – na ideia de levar seu trabalho para o teatro.

Depois de muitas idas e vindas como produtora de conteúdo para o público infantil, a lista de títulos que a escritora assina é vasta, bem como os gêneros com os quais trabalha. Além de livros e histórias contadas em áudio, Marlu assina um programa de rádio na Bahia FM, o Hora de Dormir – Ronc Fiui, que ajuda os pais a colocar seus filhos na cama na hora certa e tenta reaproximar as crianças da linguagem do rádio.

Marlu Chaves e alguns de seus títulos. / Foto: Debora Rezende

Sobre a relevância das histórias para o desenvolvimento dos pequenos, Marlu destaca que as crianças estão carentes e inseguras. “A contação de histórias entra em cena, então, com o papel de ajudar a tratar a psique e possibilitar que elas sejam adultos saudáveis no futuro. Para mim, contar histórias é um carinho. É trazer calor na era fria dos touches”, finaliza.

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