Como estaria o Brasileirão com auxílio do VAR?

Lara Ferreira, Wendel Novais e William Tales - 3 de outubro de 2018

Simulamos a tabela, os gols e os cartões que seriam alterados se o árbitro de vídeo estivesse presente no maior campeonato do país

Por Lara Ferreira, Wendel Novais e William Tales

 

A arbitragem no futebol é alvo de polêmicas desde a sua existência. No futebol brasileiro não é diferente. Quantas vezes numa mesa de bar, ou em qualquer outro lugar, você deve ter escutado que um time A foi favorecido, enquanto um time B foi prejudicado? Será que, com o VAR (Video Assistant Referee), essas polêmicas poderiam ter fim, pelo menos no campeonato mais importante do país? Simulamos a tabela.

Antes da simulação, é importante entender o que é VAR e como ele é utilizado. A tecnologia criada pela FIFA (Fédération Internationale Football Association) é constituída por uma equipe de juízes e ex-juízes de futebol que permanecem em uma central de vídeo fora do estádio acompanhando por vários monitores de TV toda partida. A equipe recebe também o auxílio de técnicos em vídeos que escolhem os melhores ângulos de lances duvidosos para o replay da jogada. Em uma das margens do gramado, o juiz principal poderá rever o lance em um monitor de TV e tomar a sua decisão.

O objetivo principal do auxílio é interferir em lances que os árbitros de vídeo julgaram receber marcação errada. Apesar disso, não são em todas as decisões que o VAR pode entrar em ação. A tecnologia pode ser utilizada em jogadas que envolvam pênalti e cartão vermelho, tanto para retirar as penalidades, quanto para marcá-las. Além dessas, os gols validados ou não validados podem ser questionados, assim como cartões oriundos de confusão em campo. Em caso de falta com cartão amarelo, a assistência só questiona se interpretar que a situação merecia vermelho, ou se for pra questionar um segundo amarelo, já que envolve expulsão. No geral, o propósito é agir em momentos de marcações graves que interfiram no curso do jogo. É importante lembrar, no entanto, que a decisão final é sempre do juiz de campo.

Polêmicas

No dia 5 de fevereiro deste ano foi realizada uma votação com todos os clubes que participam da Série A do Campeonato Brasileiro 2018. Destes, sete votaram a favor, doze votaram contra, e o São Paulo não votou, já que o presidente do time foi embora no momento da votação. Na Bahia, o Vitória foi contrário e o tricolor do estado favorável. A principal justificativa para os que não aprovaram o uso do VAR no Brasileirão foi o fator econômico, já que cada clube teria que desembolsar R$ 1 milhão para custear a tecnologia.

Se no Campeonato Brasileiro o VAR ainda não está presente, na Copa do Brasil 2018 ele aparece, mas já protagonizou várias falhas. Os erros vão desde jogadores que não compreendem o funcionamento da tecnologia, como Dudu, do Palmeiras, que pediu o auxílio em lateral, até árbitros que não seguem o procedimento correto, como o Dewson Fernando Freitas da Silva. Ele marcou, equivocadamente, falta para o Cruzeiro contra o Palmeiras na área do próprio Cruzeiro e interrompeu o lance pouco antes de Antônio Carlos chutar para o gol, que foi invalidado, uma vez que a jogada já havia sido parada. Caso o lance tivesse continuado e o gol valesse, o VAR poderia analisar a situação para averiguar se realmente houve falta.

Na Libertadores da América 2018, o árbitro de vídeo também estava presente e, apesar de grandes acertos, errou gravemente. Em jogo do Boca Juniors contra o Cruzeiro, o jogador Dedé foi expulso após interferência do VAR. O juiz Eber Aquino, que apitou a partida, havia deixado seguir o lance de choque entre o jogador do time brasileiro e o goleiro do Boca, mas, após o auxílio ser acionado, ele apresentou cartão vermelho ao jogador.

Como nem só de falhas vive o VAR, a Copa do Mundo 2018, com ajuda da tecnologia, teve o maior índice de lances corretos da história do campeonato, sendo 99,3% de acertos. Uma das interferências foi, até mesmo, na final do torneio, quando o árbitro Nestor Pitana foi até o monitor, verificou o replay de um lance e marcou pênalti de Ivan Perišić, da Croácia, por mão na bola. Griezmann converteu a penalidade em gol.

Desavenças

Após ter o maior holofote de sua história, o árbitro de vídeo entrou de vez nas discussões de boteco e de grandes programas esportivos. Entretanto, se engana quem pensa que a tecnologia é unanimidade na opinião popular e especializada. Para falar sobre isso, entrevistamos Arnaldo Ribeiro, chefe de redação da ESPN, e Sálvio Spínola, ex-árbitro e comentarista de arbitragem do mesmo canal, que deram motivos contra e a favor da implantação do VAR.

 

 

Critérios

Nesta reportagem foram utilizadas como critério as regras de usabilidade do VAR, e apenas os lances em que a essa tecnologia poderia interferir foram analisados. Foi considerado que todos os árbitros de campo seguiriam o procedimento correto, que todos os lances com marcação incorreta seriam contestados pelos árbitros de vídeo e que todas as vezes que o juiz fosse revisar o lance interpretasse corretamente.

Durante o processo de criação, em caso de dúvidas, era marcado como a maioria dos três autores da matéria concordava. Os jogadores que foram suspensos de jogos por cartões adicionados na simulação também perderam os gols e as assistências feitas nas partidas que jogaram na realidade. Os cartões adquiridos nesses jogos também foram retirados. Nos pênaltis adicionados, foi considerado conversão em gol  automático. Em times com batedores oficiais, a autoria do gol foi nomeada. Em times sem batedores oficiais, não foi nomeado autoria. Confira aqui o Lance a Lance de todas as alterações, até a Rodada 27.

Tabela simulada

 

 

Gols alterados

 

Cartões alterados

 

Podcast

Chegamos ao final da reportagem, mas, para você que quer saber mais curiosidades sobre o VAR e mais detalhes, pode apertar o play no nosso podcast abaixo:

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