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Cenário de empreendedorismo tecnológico na Bahia

Rafaela Souza, Victor Fonseca - 11 de junho de 2018

Em sua segunda edição na Bahia, que aconteceu entre os dias 17 e 20 de maio, a Campus Party (CPBA) reuniu, além de palestrantes, cientistas e apaixonados por jogos e inovações, uma série de pessoas que resolveram empreender e mostrar seus projetos no espaço Startups & Creators. O espaço possibilitou que vários empreendedores apresentassem ao público os seus variados projetos e produtos, o que tem ajudado muito no crescimento da economia e do mercado de inovação.

O secretário de CT&I da Bahia, Rodrigo Hita, comenta que o principal legado de um evento como a Campus Party é estimular a participação dos empreendedores para a movimentação do ecossistema de inovação tecnológico do estado. “Atingimos o objetivo de reunir essas pessoas, organizando melhor, catalogando esse ecossistema e fazendo surgir diversas oportunidades. É um legado sem precedentes.” completa Hita.

O crescimento da área já pode ser observado em várias exemplos, de acordo com um levantamento feito pelo governo estado. Atualmente, já foram catalogadas cerca de 150 startups dos mais diversos segmentos, como moda, energia limpa, festa, tecnologia, saúde animal, entre outros.

Presente nas duas edições do evento, a startup Cubos está no mercado soteropolitano há 5 anos. A empresa desenvolve uma série de aplicativos a exemplo do UP – Universo de Possibilidades, que ajuda a tirar dúvidas de jovens sobre carreira profissional, e do Zigpay, aplicativo de pagamento para baladas e restaurantes. A empresa que começou com três fundadores, e atualmente tem mais de 40 pessoas formando a sua equipe.

Julia Vergara, responsável pela área comercial, conta dos planos de expandir a Cubos para São Paulo, no entanto, destaca a importância do reconhecimento das empresas existentes no próprio estado. “É possível ter serviços de qualidade aqui. Não é preciso procurar em outros estados”, reitera.  

Para o empresário Marcos Regis e o estudante de engenharia de produção Marcos Filho, que apresentavam o ApPet, o maior desafio no mercado de tecnologia e inovação na Bahia é a busca por mão de obra qualificada. “Foi muito difícil a gente conseguir os desenvolvedores, por exemplo. A mão de obra especializada também é um problema”, pondera.  

O ApPet é um aplicativo pensado para donos de animais de estimação e veterinários. Nessa plataforma, a interação se dá por meio de um feed social, ou seja, os usuários podem postar fotos, interagir com outras pessoas, fazer anúncios e ainda tirar dúvidas com o veterinário. Para a dupla empreendedora, o grande diferencial é a comodidade que o aplicativo proporciona. “Estamos fazendo uma seção de perguntas para que os veterinários possam tirar dúvidas e, assim, os donos não vão precisar sair de casa para isso”, pontua o estudante.

 

Empreendedorismo na periferia

Se os Estados Unidos têm o Vale do Silício, um dos principais polos tecnológicos do mundo, na Bahia, temos o Vale do Dendê, que surge para revelar talentos empreendedores da economia criativa nas comunidades mais carentes de Salvador. “A periferia passa por vulnerabilidade econômica e financeira e acaba conduzindo o seu processo de inovação para atender as suas necessidades. O ‘faça você mesmo’ é a soluções para dar conta desses problemas”, afirma Itala Herta, a diretora de operações e co-criadora do Vale.

Itala Herta | Foto: Divulgação

O Vale do Dendê esteve presente na segunda edição da Campus Party, na Área Open do evento, promovendo palestras para falar sobre negócios inovadores, diversidade e, sobretudo, criatividade.  Baseada no conceito de Holding Social, organização de empresas que têm como objetivo central o desenvolvimento de favelas e seus moradores, o vale presta consultorias para pequenos empreendedores das comunidades visando a expansão e melhoria de seus negócios.

No ano passado, o Vale lançou um edital no qual 30 empresas foram selecionadas e hoje passam por um processo de “pré-aceleração” do negócio. Nessa etapa os empreendedores recebem orientações de como administrar a empresa, além de terem acesso a uma networking de contatos de possíveis investidores.

Foto: Divulgação

José Santos foi um dos empreendedores selecionados, e, junto a sua equipe, viu a chance como grande oportunidade. “Vimos que a nossa proposta cabia no plano de projeto social. Mesmo porque é muito difícil você encontrar iniciativas que tratem empreendimentos sociais como algo rentável”, relata.  O projeto de José é voltado para o mercado de jogos para mulheres, negros e o público LGBTTQ+, que segundo ele, apesar de serem grandes consumidores, ainda não são satisfatoriamente contemplados.

Apesar de ser conhecida pela sua cultura e ser um dos principais destinos turísticos do Brasil, Salvador ainda não é vista como um local atrativo para investimentos na área de inovação, tecnologia e economia criativa. Itala Herta ressalta o grande esforço desempenhado pelo Vale do Dendê  para subverter essa narrativa. “Salvador é a capital da inovação no Brasil, mas está fora do circuito. A gente quer atrair o olhar dos investidores, por isso a gente batalha pra sair nas grandes mídias e conduz um trabalho estratégico para reposicionar a capital como polo do Brasil”.

 

Educação Empreendedora  

Diferente do que muitos pensam, o empreendedorismo não está apenas relacionado com a abertura de um novo negócio, mas também com a identificação de problemas e investimento em recursos na busca por soluções. Essas ideias são de extrema relevância para o crescimento da economia e para o desenvolvimento do país. A educação empreendedora tem como principal objetivo estimular a identificação e solução de problemas, com atitudes e mentalidade empreendedoras.

Em uma pesquisa realizada pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM), consórcio internacional que possui parceria com o Sebrae, o Brasil ocupa a 56ª posição em uma lista de 65 países quando se trata de educação empreendedora. Isso quer dizer que muitos jovens não têm contato com empreendedorismo nas escolas.

O empreendedorismo virou a palavra do momento e passou a ocupar uma posição de influência no campo econômico e social no Brasil, mas apenas 36,4% da população adulta (18 – 64 anos) estava conduzindo alguma atividade empreendedora, segundo a GEM Brasil 2017.

A pesquisa realizada pelo GEM revela que 88,3% dos especialistas que realizaram a pesquisa recomendaram à implementação de melhorias nas políticas governamentais e programas que possam resultar no aperfeiçoamento das diversas condições necessárias para a atividade empreendedora no país.

Atualmente,o governo da Bahia tem buscado aproximação e diálogo com as questões de CT&I por meio das iniciativas para o desenvolvimento de um ambiente favorável ao surgimento de ideias inovadoras. A realização da Campus Party na Bahia e a criação do Parque Tecnológico de Salvador, que já completou 5 anos de atividade, são exemplos notáveis dos avanços. O secretário CT&I da Bahia, Rodrigo Hita, destaca o trabalho de manter o estado na liderança do setor no Nordeste. “Continuaremos avançando e vamos colocar a Bahia no melhor patamar possível”.

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