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Cena Drag em Salvador: Conheça o Coletivo Bonecas Pretas

Daniel Chelles e Rebeca Bhonn - 23 de outubro de 2018

Daniel Cheles e Rebeca Bhonn

“Bonecas Pretas” é o nome da canção lançada em 2016 pela cantora baiana Larissa Luz – o título inspirou a criação do coletivo de drags homônimo, em março de 2017. O grupo é formado somente por drags negras – por baixo dos panos, sete rapazes que se travestem de mulher -, vindas da periferia de Salvador, que decidiram incluir em suas dublagens e performances cênicas discursos contra a homofobia, o racismo e o machismo. Segundo Ferah Sunshine, integrante do coletivo, o grupo nasceu com a ideia de gerar maior visibilidade para os temas colocados em pauta. “Vimos coletivos como o Haus of Gloom surgir nos últimos dois anos, e percebemos que seria um caminho interessante, já que grupos conseguem mais apresentações pela cidade,” explica.

Escute a música que dá nome ao coletivo Bonecas Pretas:

 

Entre shows e eventos, as drags Alehandra Dellavega, Dandara Byonce, Ferah Sunshine, Yanna Stefens, Safira Luz, Suzzy D`Costa e Sasha Heels tentam passar seu recado de forma incisiva e estratégica. A primeira apresentação do coletivo aconteceu em Maio, em comemoração ao Dia das Mães, no Shopping Center Lapa, localizado no centro de Salvador.

Na contramão das apresentações mais comuns do universo drag  está a temática engajada. É o primeiro coletivo em Salvador a ter um propósito antirracista sempre presente em suas apresentações. Além disso, o coletivo demonstra-se fora da curva: já realizou apresentações até mesmo na penitenciária feminina Lemos de Brito, a qual elegem como a mais marcante. “Ficamos surpresas com a  recepção. No começo a gente especulou muito como seria, se seria bem aceito, mas, no fim, nos disse muito sobre identificação. Aquelas mulheres se viam na gente por conta da cor da pele, das características”, explica a drag queen Alehandra Dellavega. 
E completa: “elas se identificaram com a gente porque éramos drags negras”. O coletivo tem, ainda, três montagens de espetáculo em seu repertório, os quais se revezam em suas apresentações, sendo eles: Fora da Caixa, Amor a Beyoncé e Uma noite para Zumbi.


Fonte: /alehandradellavega

No espetáculo “Fora da Caixa” as performances envolvem dublagens de cantoras negras como Elza Soares, Paula Lima e Linn da Quebrada; o nome é bastante literal: no início do show, três participantes saem de uma caixa grande, embalada para presente, ao som da dublagem de “Bonecas Pretas”, a supracitada música da cantora Larissa Luz. Já na apresentação “Uma noite para Zumbi”, além de dublagens das canções de nomes como Elisa Lucinda, o grupo performa e declama textos sobre a história da escravidão e o racismo na atualidade, denunciando-o como problema estrutural.

Fonte: /ferahsunshine

Para Ferah Sunshine, integrante do coletivo, um ponto positivo é a união do grupo: “Somos bastante unidas. É algo importante para manter o Bonecas, que é uma atividade nossa de paixão mesmo, porque todo mundo tem vida dupla (risos)”, explica, em referência às outras profissões dos integrantes do grupo. Os jovens, de faixa etária entre 20 e 30 anos, desempenham variadas funções durante o horário comercial, sendo maquiadores, cabeleireiros, publicitários e atendentes de telemarketing.



Cena Drag em Salvador

Valerie O’Harah | Foto: Genilson Coutinho

A partir da criação do coletivo soteropolitano HoG (Haus of Gloom), criado em 2015, outros grupos de drags passaram a surgir e ganhar espaço na capital baiana, como o Bonecas Pretas, o “Casa Moxtra” liderado pela drag Malayka SN, e e o “Cremosas”, liderada por Melanie Mason.

Para Valerie O’Harah, “o surgimento de novas drags em formação de grupos fortalece a profissão pois gera maior visibilidade para a classe artística de transformistas”, explica. Desde 2014, Valerie realiza a premiação de entrega do Troféu “Melhores do Ano”, que prestigia destaques da cena LGBT+ na capital; o veredito é dado através de um júri popular, feito por pesquisa através do portal Lufra Produções. No ano de 2017, o coletivo Bonecas Pretas ganhou a premiação de melhor coletivo de drags da capital baiana, concorrendo com HoG, Casa Moxtra e Cremosas.

Onde Encontrar? É possível acompanhar o trabalho do coletivo através de suas redes sociais, Instagram e Facebook, assim como sua agenda de apresentações








Sugestão: Paris is Burning – A presença negra na cena drag Nova Iorquina; 
 

Screenshot do documentário de Jennie Livingston|


No início dos anos 90, foi lançado nos Estados Unidos o documentário Paris is Burning, dirigido por Jennie Livingston. O longa faz um panorama da cena drag em Nova York, com ênfase nas drags de baixa renda (negras, em sua maioria) e nas práticas de concursos em bailes, além de trazer referências à explosão do transformismo na década de 80 (junto ao fenômeno dos club kids).  O documentário retrata, ainda, o fenômeno das ‘mom drags’, figuras que auxiliavam gays sem teto (por fugirem de suas casas ou terem sido expulsos) a tornarem-se drag queens – um forte pilar da cena, levando em consideração a situação sócio-econômica-cultural. Paris is Burning (1991) pode ser assistido na íntegra pelo Youtube ou através do serviço de streaming Netflix, ambos legendados em português.

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