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Casas de farinha reúnem famílias para processo histórico de produção

- 6 de julho de 2014

Suely Alves

A farinha de mandioca é uma tradição cultural estritamente ligada à história do Brasil, especialmente na região Nordeste. O seu processo de produção é uma atividade coletiva, pois reúne famílias, vizinhos e amigos. As casas de farinha proporcionam uma relação de sociabilidade. Durante o processo da raspagem das raízes, a atividade é compartilhada de forma mais intensa, pois é a etapa que precisa do maior número de pessoas.

A nutricionista Flávia Ramos passou a infância e boa parte da adolescência convivendo com a experiência da fabricação de farinha. Filha de produtores de mandioca, sempre ajudava os pais no trabalho. “A casa de farinha é um importante espaço de socialização, construção e manutenção de vínculos de amizade. É um ambiente onde as pessoas se identificam e se reconhecem como pertencentes a determinado lugar, cultura e hábitos, incluindo os alimentares”, destaca.

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O processo da fabricação do produto tornou-se algo tão socializador que os donos das casas de farinha não exigem pagamento em dinheiro pelo uso das máquinas. Boa parte dos proprietários recebem 20% da farinha que é produzida, podendo variar a porcentagem, de acordo com a localidade. Na região do Fojo, município de Mutuípe, as pessoas se reúnem numa espécie de mutirão durante a fabricação, e a cada semana o grupo trabalha para uma pessoa. “É uma das atividades que eu mais gosto de fazer, porque é o momento de reunir os amigos e aproveitar para botar o papo em dia”, afirma Lourival Nascimento.

Marilene Santos, 41 anos, moradora da mesma região, realiza o ofício desde os dez anos. Ela aprendeu a atividade com os pais e faz questão de passar esse aprendizado para os filhos. “Trago meus filhos para aqui e ensino a tirar goma, fazer beiju, porque eu quero que eles aprendam comigo aquilo que eu aprendi com os meus pais”, diz.

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O destino da farinha – Depois de pronta, a farinha é utilizada para o próprio consumo das famílias, vendida em atacado ou comercializada nas feiras livres, algo muito comum nas cidades do interior. O feirante Firmino Santos conta que seus clientes são exigentes e preferem a farinha mais fina e bem torrada. Em dias de feira, o comerciante vende em média 80 kg de farinha por por R$ 2 o quilo e R$1,50 o litro, equivalente a 650g.

O aposentado Manoel Silva, 90 anos, recorda quando produzia farinha e transportava para a cidade de Nazaré das Farinhas, no Recôncavo Baiano. Na época, a localidade funcionava como entreposto comercial entre Salvador e região circunvizinha. O transporte do produto era realizado por meio das tropas de burros, que levava em média dois dias de viagem, do município de Laje para a cidade de Nazaré. “Era um tempo bom, que não volta mais. Durante a viagem, a gente sentava na beira do riacho, fazia um fogo de lenha, assava carne e comia com farinha”, relembra.

A safra da mandioca acontece entre os meses de janeiro a julho, sendo a Bahia o maior produtor e consumidor de farinha no Nordeste. Segundo a Embrapa, o estado consome mais de 24% da produção. O produto também é exportado para outros países como Venezuela, Argentina e Estados Unidos.

Os precursores da mandioca – A mandioca é genuinamente brasileira. Na carta escrita ao rei de Portugal, Pero Vaz de Caminha definiu a mandioca em poucas palavras. “E não comem senão deste inhame, de que aqui há muito, e dessas sementes e frutos que a terra e as árvores de si deitam”. Os índios foram os pioneiros no cultivo da mandioca. Antes mesmo da chegada dos portugueses eles já tinham experiência no plantio da lavoura. Os nativos tinham o hábito de preparar suas refeições de forma rudimentar, retirando da terra seu próprio alimento. Mas foi na época da colonização do Brasil que o produto serviu de alimentação básica tanto para os escravos como para os desbravadores.

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