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Cangaço: o faroeste do cinema brasileiro

- 6 de julho de 2014

Gênero Nordestern atingiu o sucesso na década de 1960, com a produção de vários filmes que retratavam a vida no cangaço

 Thaíse Reis

O cenário é o sertão nordestino do final do século 19 e início do século 20, marcado pela seca, pobreza e desigualdades sociais. A região, que parecia isolada do resto do Brasil, era o espaço de atuação de personagens hoje conhecidos por todos: os cangaceiros. Nos roteiros, havia espaço para cenas do cotidiano dos bandos, de busca por comida e acolhida e até mesmo de romance. Mas a ênfase era nos constantes enfrentamentos entre esses os cangaceiros e a polícia da época.

A combinação de todos esses elementos resulta numa obra do gênero cinematográfico Nordestern. A expressão surgiu no início da década de 1960 inspirada no Western americano, os famosos filmes de faroeste. Mais que o retrato da vida sofrida na caatinga das cidades do interior da região Nordeste, através do gênero, houve uma valorização da nacionalidade e da identidade brasileira. A maior prova disto é o personagem nordestino como protagonista no cinema. Com o filme de cangaço, o cinema brasileiro conseguiu criar um gênero exclusivo de filme de aventura, tipicamente regional. Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, considerado o maior cangaceiro de todos os tempos, foi a inspiração para a maioria das obras do Nordestern.

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“O cangaço foi e continua sendo um dos temas mais abordados no cinema, lembrando que o filme O Cangaceiro foi um grande sucesso. A obra ficou por um longo período em cartaz em Cannes, sendo uma das maiores bilheterias da época”, conta João de Sousa Lima, historiador e diretor de cultura na cidade baiana de Paulo Afonso. Há 15 anos Lima pesquisa o cangaço e o sertão nordestino, tendo publicado seis livros sobre a temática. Apesar de não se inserir totalmente no mundo do cinema, revela que já realizou cerca de 10 documentários sobre o movimento, além de um curta-metragem intitulado Cangaceiro gato: um rastro de ódio e sangue.

Obra de Lima Barreto, O Cangaceiro, de 1953, como lembra o historiador, foi o filme que inaugurou o gênero, também conhecido como Western caboclo. Foi um fenômeno de bilheteria, premiado, inclusive, no Festival de Cannes. O professor da Universidade Federal da Bahia e crítico de cinema André Setaro lembra que essa foi uma conquista única. “O Cangaceiro de Lima Barreto é o único filme de cangaço que teve reconhecimento internacional, os outros tiveram uma repercussão intramuros, ou seja, no Brasil”, diz.

A ousadia dos cineastas nordestinos e a vontade de realizar longa-metragens, mesmo com as limitações, resultou numa vasta lista de produções, algumas campeãs de bilheteria. Para Setaro, a fórmula do sucesso dessas produções era a presença de elementos característicos das novelas, que sempre atraíram o grande público. “Os filmes do Nordestern eram muito ‘romanceados’, como se fossem ‘novelizados’. A ação possuía pitadas de melodrama, não tinha a crueza e a visão crítica que o tema requer”, explica.

Entre as produções mais recentes, destaca-se Baile Perfumado, de 1996. O filme de Paulo Caldas e Lírio Ferreira é considerado o que mais se aproxima da realidade. Além de trazer a visão crítica dos autores, foi produzido a partir de fragmentos originais do documentário Lampião – Rei do cangaço, produzido pelo libanês Benjamin Abrahão em 1936. O cineasta conviveu com o bando de Lampião e registrou esse período.

De lá para cá – De acordo com o crítico, na última década, apesar da existência de muitos festivais de cinema pelo Nordeste, o Nordestern perdeu espaço e as obras lançadas já não abordam a temática do cangaço. “São apresentados filmes mais autorais, obras que são uma espécie de reflexão sobre a sociedade brasileira. Seguem o ponto de vista de seus realizadores, mas o cangaço não aparece nessa reflexão. É um tema interessante, mas que ficou abandonado e faz parte da história”, lamenta Setaro.

Já João Lima acredita que algumas produções atuais ainda trazem elementos do Nordestern. “O cinema do nordeste e os diretores nordestinos sempre focam o cangaço em algum momento. Porém, há uma produção sobre temas diversificados e muitos ganharam e ganham prêmios nos festivais de cinema espalhados pelo Brasil. Um dos grandes expoentes do cinema nordestino é o Festival do Ceará, do qual sempre participo”, afirma.

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