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Atividades físicas na época Millennial

Rebeca Bohn, Mariana Jorge, Melissa Altahona - 27 de novembro de 2018

Por Marianna Jorge, Melissa Pereira e Rebeca Bhonn. 

Quem nasceu entre o início da década de 1980 até meados da década de 1990 é conhecido por setores de marketing como os millennials. Também chamados de geração do milênio, geração da internet ou geração Y, eles se tornaram fruto de pesquisas para gestão de negócios em todo o mundo. Um recente estudo norte-americano sugere que essa geração possui um déficit de bem-estar, identificando que apesar de reconhecerem a importância dos exercícios físicos, três quartos deste grupo não é fisicamente ativo.

No Brasil, é possível sentir esse impacto no mercado fitness. Segundo dados da última pesquisa da Associação Brasileira de Academias (ACAD), lançada em 2016, o Brasil é o segundo da lista de países que mais investem em academias. Contudo, mesmo com aumento do número de academias e clientes, o faturamento econômico do mercado teve queda de R$ 7,6 bilhões para R$ 6,6 bilhões em um ano.

A crise econômica também atinge as academias. A pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito do Brasil (SPC) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), no ano de 2016, auge da crise, apontava que 26% dos brasileiros deixaram de malhar para economizar. Para escapar da crise, as academias estão mudando de estratégia e investindo em novas aulas para atrair mais pessoas, trazendo, por exemplo, variadas atividades, como zumba, crossfit, yoga, meditação, etc. 

Sendo comum encontrar entre a geração Y aqueles que não gostam do ambiente das academias, alguns jovens encontraram alternativas para se movimentar. A historiadora Rebeca Benevides se encaixa nesse perfil: aos 27 anos, Rebeca já fez capoeira, natação, boxe, futebol, ciclismo e atualmente se dedica ao jiu-jitsu. “Fiz musculação mas não gostei. Não gosto do exagero da busca pelo corpo musculoso, aquele padrão de academia. Faço exercícios pela saúde, porque me faz bem, não pelo corpo”, conta.

Benefícios

Para uma das gerações mais informadas do mundo, as vantagens dos exercícios físicos não são novidade. Mesmo assim, doenças associadas ao sedentarismo matam 300 mil brasileiros por ano. A diversificação desse mercado é fundamental para a diminuição destes índices e para atrair os millennials para uma nova lógica de exercícios.

Fazer atividades físicas pode trazer benefícios que começam durante a realização dos primeiros movimentos. O corpo de quem pratica
exercícios com regularidade se modifica em diversos aspectos. Nossa equipe produziu um infográfico que exemplifica estes benefícios a curto e longo prazo. Confira:

Atividade física e terapia

Em um cenário mundial onde mais de 500 milhões de pessoas sofrem de transtornos psicológicos como depressão e ansiedade,  a palavra “terapia” já não tem mais a conotação negativa de alguns anos atrás. Os números divulgados em relatório da OMS de fevereiro de 2017 ainda contabilizam o Brasil como o país da América Latina mais afetado pela depressão, com prevalência de 5,8% acima da média mundial.

A instrutora Gabriela Teixeira, 27 || Foto: Acervo Pessoal

Neste quadro, a busca pela saúde envolve também o bem-estar psíquico, ideal defendido por algumas vertentes de práticas alternativas, como o Yoga, o qual a professora Gabriela Teixeira, 27, explica não ser exatamente uma atividade física. “Ele [Yoga] é confundido muitas vezes com atividade física e até mesmo com religião, mas na verdade não é nada disso; é uma filosofia de vida, que vem da Índia”, conta. Segundo a professora, existem oito linhas de yoga, nem todas utilizando o corpo como instrumento. “O hatha yoga é onde se utiliza o corpo, é a linha que eu trabalho. Hatha significa sol e lua, então seria a combinação dos opostos, a busca pelo equilíbrio. A palavra yoga por si só já significa união de corpo, mente e espírito”.

Gabriela conta que iniciou o yoga em 2014, mas sempre se movimentou de alguma forma. Passou pela natação, pela dança, pelo boxe e até mesmo pelo Muay Thai, chegando a frequentar a academia. “Tive um companheiro que gostava muito de academia, e ele era tipo meu coach, fazia minha ficha, me levava, me buscava, enfim. Mas nunca gostei!” O primeiro contato com o Yoga, por outro lado, foi diferente. “A prática era incrível, eu me sentia extremamente bem. Senti que aquilo ali era meu modo de viver e que poderia fazer parte da minha vida pra sempre”, explica. 

Thamires Casali, 25, servidora pública e professora de yoga, também explica a modalidade hatha yoga. “Dentro do hatha yoga o corpo está sendo trabalhado, não [apenas] como propósito ou como objetivo. Nossa finalidade é mental, de autoconhecimento. O corpo é beneficiado assim, como uma consequência muito natural”. Para além das aulas de yoga, a professora também anda de bike, faz dança, atividades aeróbicas e crossfit.

Mesmo matriculada na academia, Thamires acredita que está entediada com a musculação tradicional. “Pessoalmente o crossfit tem sido, para mim, uma boa alternativa de relaxar um pouco a mente dos meus pensamentos. Enquanto estou na musculação, mesmo com os fones de ouvido, percebo que a cabeça continua disponível para produzir pensamentos, elaborar coisas, visitar lembranças, o que não se mostra saudável ou produtivo”, explica.

Douglas Rodrigues em lançamento da escola LifeCirco, em Salvador || Foto: Oficina de Pixel

Douglas Rodrigues, dançarino, professor de tecido e artes circenses acrobáticas, é categórico ao afirmar o papel terapêutico da atividade física em sua vida. “Pouco antes de conhecer o tecido, eu tinha começado a fazer terapia, estava começando a me conhecer, me entender melhor, e percebi que eu tinha uma grande necessidade artística, de fazer algo relacionado a artes,” conta. Ao começar a procurar aulas de dança, esbarrou na possibilidade de conhecer e praticar aulas de circo através de uma amiga. “Sempre tive aquela fantasia de menino de fugir com o circo, ficava assistindo filmes e gostava muito dessa ideia; comecei a fazer aulas no Pelourinho, na época, com a Aline Amado”.

Douglas toca na questão da importância de determinadas atividades abarcarem não apenas o físico, mas auxiliarem as pessoas em diversos processos de autoconhecimento. “O lance do tecido pra mim sempre foi uma terapia, desde o primeiro contato eu percebi que se tratava de algo que seria muito rico, muito forte, comecei a me sentir melhor, mais feliz, minha autoestima mudou muito, comecei a me achar mais interessante e passei a me gostar, a me aceitar do jeito que eu sou. Fui descobrindo no tecido várias outras lições de vida”, explica. Hoje, como professor, Douglas ressalta a importância de passar adiante os conhecimentos adquiridos aos alunos, e a realização em acompanhar os pupilos passando por processos similares. “Vê-los nessa redescoberta da autoestima, da autoconfiança, perdendo medos… Tudo isso pra mim é muito rico.” 

Ícaro Velasc || Foto: Acervo Pessoal

Na categoria de esportes, o surf, oitavo na lista dos esportes mais praticados no país, exige condicionamento físico prévio. Ícaro Velasc, 24, instrutor no Centro de Terapia em Surf, formado pela Confederação Brasileira de Surf (CBS) e bacharel em Educação Física, conta que faz outras atividades físicas para fortalecer o equilíbrio corporal na hora de surfar. “A gente que surfa precisa compensar muito os músculos inferiores, trabalhar as pernas para manter o equilíbrio corporal”, explica. Suas alternativas são diversas: vão desde a musculação na academia, até a prática de canoa baiana, natação, skate e yoga.

Quando o assunto é saúde, o instrutor lista motivos fundamentais para quem se interessa pela prática do surf. “É um esporte que mexe muito com corpo e com a cabeça, fisicamente falando, e é apropriado para quem busca perder peso e melhorar condicionamento físico”, conta. Em sua opinião, a procura por atividades físicas não podem estar relacionadas apenas à estética, e sim a uma busca por uma maior qualidade de vida e bem-estar.  Para ele, a relação com o surf permite o fomento de uma visão crítica a padrões estéticos sobre o corpo e o fortalecimento de uma relação com a natureza.

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