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A geração do trabalho espontâneo

- 12 de maio de 2015

Como novas relações entre trabalho e lazer vêm se consolidando entre os jovens

Maili Dias

As novas gerações nasceram e cresceram não só com uma vontade maior de empreender, mas, também, de transformar lazer em negócio,  estimular a criatividade e associar sucesso no trabalho com prazer e satisfação. Esses jovens se mostram mais interessados por “trabalhos espontâneos”, aqueles em que, a partir de um hobby, uma paixão, surge, sem planejamento prévio, um empreendimento.

Foi brincando com o que se gosta de fazer que Marck Zuckberg criou o Facebook e se tornou um dos jovens mais ricos do mundo. Seu sucesso vem incentivando jovens a empreenderem de forma autônoma e autodidata fazendo o que gostam e utilizando o potencial das redes sociais ao seu favor.

Em escala menor de repercussão, a carioca Nicole Casares viu o seu amor pela cidade natal, o Rio de Janeiro, tornar-se hoje sua principal fonte de renda e ocupação com o nascimento de uma marca, a Cariocando no Rio. “O Cariocando aconteceu de forma espontânea, sem planejar muito. Fruto de uma paixão avassaladora pela cidade”, explica Nicole.

A ideia era apenas compartilhar seus conhecimentos e amor pelo Rio de Janeiro em uma conta no Instagram, com fotos e pequenos textos sobre os lugares que frequentava.  “Tudo aconteceu com muita naturalidade. Tive o que se chama crescimento orgânico. Fiz Direito, mas sempre senti muita necessidade de criar o meu próprio conteúdo, de empreender e escrever com liberdade e criatividade”, relata Nicole.

Hoje, ela conta com quase 100 mil seguidores e uma renda mensal de, em média, três mil reais, frutos de sua visão de empreendedora. Ela passou a elaborar “Roteiros Personalizados” para leitores que visitam o Rio de Janeiro e publicar alguns publipost (posts patrocinados) que se alinham a sua marca. Além da conta, criou também um site que republica os posts do Instagram.

Em Salvador, o casal Gabriela Martinez e Luis Abbud traçaram o caminho contrário, criando primeiro um Food blog (blog sobre comida), o Onde Comer em Salvador, e, depois, levando a marca para o Instagram, onde já contam com quase 25 mil seguidores.  “No começo do namoro, saíamos muito para comer. Daí, decidimos transformar esse custo em investimento e começamos a dar nossas dicas de forma oficial”, explica Gabriela sobre a criação. “Eu sou redatora publicitária. Escrever já é o que faço profissionalmente. A diferença era que, com o blog, escreveria sobre um assunto que amo e a busca pelo conteúdo era – e continua sendo – o nosso lazer favorito”, acrescenta.

Com o crescimento da marca, ambos passaram a investir tempo e capital no negócio, que hoje lucra em cima de anúncios publicitários. Gabriela acredita, também, que as plataformas digitais foram de extrema importância. “São nossa maior divulgação. Elas têm vida própria”, esclarece. “Hoje, com a facilidade de acesso à internet, todos somos formadores de opinião. E transformar isso em um negócio é muito fácil. Basta saber fazer”, conclui.

As páginas do Instagram do Onde Comer em Salvador e Cariocando no Rio | Foto: Instagram

Fora das Redes Virtuais

Ambos Nicole e o casal Luis e Gabriela criaram exemplos de startup (empresas recém-criadas com grande potencial e desenvolvidas a partir de ideias inovadoras) que dependem completamente de plataformas digitais para existir e crescer. Mas os jovens não se atêm em totalidade aos ambientes digitais para transformarem seu lazer em trabalho. A estudante baiana de arquitetura, Lissa Barreto, viu o interesse das pessoas crescerem em torno do seu trabalho em criar álbuns personalizados, ou scrapbooks, inicialmente pensados para organizar suas recordações, passando, então, a aceitar encomendas.

“As pessoas passaram a me procurar para fazer álbuns, porta-retratos e quadrinhos personalizados. As encomendas foram crescendo gradativamente”, explica Lissa sobre o surgimento natural do negócio. Apesar do potencial, a atividade é secundária na vida da jovem, que ainda tem a arquitetura como prioridade profissional, já que os lucros com o scrapbook são variáveis, dependendo da demanda e do grau de complexidade que cada um exige.

Em comum, todos esses jovens empreendedores acreditam que trabalhos espontâneos são uma forte característica de sua geração e são taxativos ao responderem “sim” quando questionados se as tecnologias virtuais ajudaram de alguma forma nos seus negócios. É inegável, também, que há entre eles uma busca cada vez maior em criar e investir em suas próprias atividades de lazer, enxergando potencial empreendedor em suas paixões.

Para Lissa, “a fonte do sucesso não tem uma ‘receita pronta’, mas, sem dúvida, alguns dos ingredientes são gostar do que se faz, procurar fazer bem feito, ousar, ter disciplina e saber divulgar e vender”. Já Nicole aconselha que “desenvolvam seu negócio com alma e verdade que ele dará certo”. É essa geração ambiciosa, criativa e engajada que é tão perfeitamente capaz de refletir o mundo atual e suas necessidades.

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