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Segue o Som: Quais são os desafios de fazer música em Salvador?

Luana Lima, Marina Matos - 13 de junho de 2018

Em dezembro de 2015, Salvador foi eleita pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como Cidade da Música. Esse reconhecimento potencializa a diversidade da cena musical soteropolitana e indica possibilidades de crescimento. Para Ricardo Rosa, produtor cultural e diretor da Ruffo Marketing, Cultura e Arte, “a gente talvez esteja no momento mais frutífero de um novo mercado baiano”.

Ainda assim, consolidar a carreira em um local com histórico de força do axé music é um desafio. Ricardo Rosa destaca a importância da música traduzir a verdade da banda e do artista: “O grande problema é quando você passa por um processo de imposição mercadológica”.

 Bandas e artistas em início de carreira encontram diversos obstáculos para se inserir na cena musical da cidade em razão da necessidade de construção da identidade e de seu público, e pela falta de investimento, entre outros fatores. Quem está começando enfrenta desafios para conquistar espaço em uma cena musical que, por muitas vezes, opera por meio de uma lógica mercadológica que não favorece a diversidade.

 

Construção da identidade musical

A Flerte Flamingo vive essas dificuldades no dia a dia. A banda soteropolitana surgiu em abril de 2016 com o único objetivo de se juntar e tocar. O EP mais recente do grupo, “Postura e Água Fresca”, foi lançado em março de 2018 e as canções têm influências de gêneros como o samba, o samba reggae e o pop rock.

 

Leonardo Passovi, vocalista da Flerte Flamingo / Crédito: Marina Matos

 

Transformar ideias e devaneios em música não é tarefa fácil. Compreender o processo criativo é um passo importante para que a dinâmica produtiva dos artistas e bandas seja mais fluída. “Eu costumo escrever sozinho, tenho um pouco de dificuldade para escrever em conjunto, e tenho lutado contra isso. Quando a gente leva pra banda a coisa se coletiviza mais, mostro minha ideia, toco a música e penso junto”, conta Leonardo.

Uma grande dificuldade está em estabelecer uma unidade que represente o grupo ou o artista. “A gente começou a se sentir mais à vontade quando trouxe [a música] para raízes nacionais. Começou a ficar com uma naturalidade maior e fluía mais facilmente”, explica Leonardo. Além disso, o músico avalia que a Flerte Flamingo tem em suas músicas uma baianidade que gera identificação do público.

Fazer da música um projeto que alie a realização pessoal com a sustentabilidade financeira também se apresenta como um desafio para essas bandas e músicos. O artista depende de agenda para obter equilíbrio no seu projeto de música devido ao tempo que ele precisa de ensaio, show, composição, construção de network, etc. Para Ricardo, a grande carta na manga para a novas bandas e músicos conquistarem espaço na cena musical é a criatividade. “O artista precisa estar mais criativo pra poder pensar em mais nuances pro show, mais possibilidades de eventos, em desassociar o peso do evento na captação de público, e sim criar uma dinâmica onde ele consiga ter um plano de circulação mínima”, destaca.

Outra estratégia de conquista de público utilizada por bandas em início de carreira passa também por shows com ingressos mais baratos porque as pessoas, naturalmente, tendem a não querer colocar muito recurso financeiro naquilo que elas não sabem se vai ser de qualidade, se vai ter um retorno, como forma de proteção. Porém, a longo prazo, isto pode representar um obstáculo para o momento em que esses artistas comecem a trabalhar com entradas mais caras. No entanto, Leonardo acredita que “mercadologicamente falando, a diferença não é tão substancial se o preço não for algo absurdo e for bem bem justificado”. Para o vocalista do Flerte Flamingo, o respaldo para cobrar ingressos mais caros apenas pelo nome do artista é algo que leva mais tempo.

Tá na Rede

Com o advento da internet, muita coisa mudou na relação artista e público. Para Ricardo Rosa, “a formação de platéia é um grande exercício que envolve entender como se comunicar com o público, além de entender o que a música representa. “O ponto de partida de tudo é a internet, depois o show e a grande mídia. O caminho hoje é esse.” conta o produtor. O canal Novo Artista apresenta no vídeo abaixo três passos para construir o público do zero, utilizando a internet como parte da estratégia.

 

 

Leonardo Passovi também vê a internet como um difusor importante. Para ele, “é um meio de trabalho acessível. Antes as pessoas tinham que correr para o Youtube, para o SoundCloud e quando o “som” está organizado, [o público] fica mais receptivo.” A banda está presente no Youtube, Facebook e Instagram, e disponibiliza suas músicas nos serviços de streaming Deezer, Spotify, Apple Music e iTunes.

A presença em plataformas musicais, para Leonardo, é fundamental para a credibilidade da banda e do artista que está iniciando a carreira. “O streaming trouxe de certa forma uma possibilidade de profissionalização. Uma banda que consegue colocar seu som na plataforma acessa o ouvinte desconhecido”.

 

Clique no PLAY

 

Conheça o som do grupo Flerte Flamingo

 

 

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